O crime bárbaro silenciou a cidade de Cacimbinhas por quase 16 anos, os familiares acreditando que a justiça ainda poderia ser feita, a população incrédula mas sob expectativas. Nesta quarta-feira (20), o Ministério Público de Alagoas (MPAL) enfrentou o tempo, a defesa, entrou no salão do júri representado pelo promotor de Justiça Izelman Inácio que sustentou com precisão a denúncia, pedindo a condenação de José Afrízio da Silva, de 46 anos, assassino da adolescente Josefa Cristina, à época com 14 anos, brutalmente esfaqueada enquanto dormia. O homicídio qualificado foi reconhecido pelo conselho de sentença, entendendo que o réu agiu por motivo fútil, recurso que impediu a defesa da vítima, em concordância com o MPAL, levando-o à condenação de 30 anos de prisão em regime fechado.

A comoção do dia 2 de outubro de 2010, promovida pela violência que ceifou a vida de Josefa Cristina, foi mantida até a manhã desta quarta-feira. Cartazes foram colocados em árvores com pedidos de justiça, um folden convocando a população para se fazer presente foi compartilhado: “Pedimos a presença e apoio de todos nessa luta por justiça. #Justiça por Cristina#. E ela foi feita.

“O crime estarreceu a pequena cidade, uma menina foi assassinada com, pelo menos, quatro golpes de faca, após o criminoso invadir sua casa, entrar no quarto e confundi-la com o irmão que era o alvo. A dor dos pais que ouviram os gemidos da filha agonizando, um crime brutal cuja motivação seria a cobrança de um débito de vinte reais, algo abominável e jamais poderia ficar impune. Não tinha como ser diferente, entramos naquele salão do júri em busca de justiça, em defesa da vida, do alívio para os familiares, de resposta para a sociedade que ansiava por isso há mais de 15 anos. O Ministério Público cumpriu o seu papel”, afirma Izelman Inácio.

O caso

Consta nos autos que 15 dias antes do crime, o irmão da menina teria cobrado uma dívida de R$ 20,00 ao réu, o que teria lhe deixado enraivecido e gerado uma discussão entre eles. No dia do fato, pela manhã, ele teria sido abordado mais uma vez pelo mesmo motivo. Revoltado, planejou o crime e, por volta das 23h, invadiu a casa da vítima localizada no Povoado Minador Lúcio, zona rural daquele município, entrou no quarto de Josefa Cristina que estava completamente coberta e começou a desferir os golpes de faca acreditando que estaria acertando o seu alvo, no caso, o irmão dela que dormia em outro quarto.

Os pais da vítima acordaram assutados por terem ouvido alguns gemidos e deduzido que seria o filho passando mal, no entanto, na sala se depararam com o criminoso, entraram em luta corporal com o mesmo, conseguindo, ainda, arrancar os sapatos e a camisa dele. No entanto, o criminoso conseguiu fugir.

O casal correu para o quarto do filho e o visualizou dormindo, enquanto avistou a menina agonizando do lado de fora. Ela foi levada para a Unidade de Emergência de Arapiraca, onde faleceu. Um ponto importante e crucial, além do depoimento da mãe da vítima, foi a esposa do acusado confirmar que a roupa e os calçados apresentados eram os que o réu usava no dia do crime.