Um tiro na cabeça dado por trás, sem nenhuma chance de defesa. Depois que a vítima caiu ao chão, mais dois tiros: um na cabeça e outro nas costas. Foi assim que Elias José do Nascimento matou a ex-companheira Adjane Araújo da Silva, na tarde do dia 31 de julho de 2025, em Teotônio Vilela, por não aceitar o fim do relacionamento. Decorridos 12 meses e 20 dias após o crime, nessa quinta-feira (20), Elias José foi a júri popular e, graças à acusação do Ministério Público de Alagoas (MPAL) perante o Tribunal do Júri, ele foi condenado a 37 anos e seis meses de reclusão pelo feminicídio praticado contra a ex-companheira.

Conforme consta nos autos processuais, após o fim conflituoso do relacionamento de apenas dois meses, a vítima sofreu ameaças do ex-companheiro e, por isso, solicitou medidas protetivas, que foram deferidas pela Justiça. Assim, o réu deveria manter uma distância mínima de 300 metros da ex-companheira.

No entanto, por volta das 15h30 do dia 31 de julho do ano passado, Elias José do Nascimento utilizou uma arma de fogo para atirar contra Adjane Araújo, que passava pela rua Francisco Santos, no Centro da cidade de Teotônio Vilela. Ele fugiu da cena do crime, mas foi encontrado e preso dois dias depois, ainda de posse da arma utilizada para tirar a vida da ex-companheira e de uma quantia em dinheiro.

Representante do MPAL no júri que resultou na condenação de Elias José, o promotor de Justiça Magno Alexandre Moura ressaltou que o crime de feminicídio ocorrido foi praticado com duas causas de aumento de pena, ou seja, a de recurso que dificultou a defesa da vítima e por descumprimento de medidas protetivas de urgência.

“Adjane era uma mulher simples, guerreira, trabalhadora, que acordava às quatro horas da manhã para limpar as ruas de Teotônio Vilela como gari municipal, lutando para colocar o pão na mesa de seus filhos. Adjane viveu em silêncio um verdadeiro calvário de opressão. Quando ela decidiu dizer basta, quando teve a coragem de romper o ciclo de violência e dizer a Elias que não queria mais continuar, tornou-se alvo de uma perseguição implacável”, explicou o promotor de Justiça, durante sua sustentação em plenário.

Ele também acrescentou que, naquela tarde de 31 de julho de 2025, na Rua Francisco Santos, Elias José “vestiu a armadura da covardia”. “Sem qualquer discussão, sem dar a ela a menor chance de olhar em seus olhos ou implorar pela vida, ele atirou na cabeça de uma mulher indefesa! E, não satisfeito, quando Adjane tombou ensanguentada no calçamento, aproximou-se e descarregou a arma novamente contra o seu crânio”, assinalou Magno Alexandre Moura.

Os familiares da vítima compareceram ao fórum de Teotônio Vilela, onde ocorreu o julgamento, e foram acolhidos pelo promotor de Justiça, destacando sua atuação na sessão plenária do Júri que resultou na condenação do réu.