O Ministério Público de Alagoas (MPAL) levou para a Escola Municipal Professor Theonilo Gama, no Jacintinho, em Maceió, na noite dessa quarta-feira (19), o projeto “Na Base do Diálogo: MP na Construção do Respeito e Paz Familiar”, uma iniciativa da 40ª Promotoria de Justiça da Capital que tem por objetivo esclarecer sobre as diversas formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, as medidas de prevenção e enfrentamento a esse crime e o estímulo ao diálogo como estratégia para resolução de conflitos e manutenção da paz no ambiente doméstico.
Titular da 40ª PJC, o promotor de Justiça Magno Alexandre Moura ressaltou que muitas situações de conflito no lar podem ser solucionadas ou evitadas por meio do diálogo. “Precisamos nos comprometer com a paz e que sejamos todos agentes multiplicadores do diálogo como estratégia para solução de conflitos”, pontuou.
“É bem verdade que a violência contra a mulher virou uma pandemia, e é preciso deixar claro que há diversas formas de violência, conforme estão descritas na Lei Maria da Penha, que protege não apenas a esposa, mas também a namorada, a noiva e também a filha, a cunhada, a nora”, acrescentou Magno Alexandre Moura.
Segundo ele, em contextos de violência, muitas vezes o agressor começa com violência psicológica. “A linguagem pode atingir a dignidade da mulher, toda fala que fere a dignidade pode ser uma forma de violência. Existe também a violência patrimonial, que é quando o homem começa a dilapidar o patrimônio da mulher. Esse ciclo de violência tem que ser quebrado”, salientou o promotor de Justiça.
Durante a conversa com os estudantes, muitos deles da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI) da Escola Theonilo Gama, o promotor respondeu a perguntas e permitiu que as mulheres relatassem suas experiências.
“Eu sempre ajudei minha mãe a se defender do meu pai, que era agressor. No último dia que ele decidiu matar minha mãe, ele já tinha planejado tudo. Ele deu uma surra nela e a derrubou de uma ribanceira. Ela perdeu todos os dentes, hoje usa prótese. Ele casou com outra e bateu nela também. Depois um dos filhos da outra mulher deu uma surra nele. Mas ele continua hoje batendo na atual mulher. Eu não tenho contato com ele”, lembrou uma das alunas.
“Onde eu morava um casal brigava muito. Ele foi preso, quando voltou da prisão matou a mulher e se matou. Foram dois caixões e até hoje a criança filha deles tem problema psicológico por causa disso”, relatou outra estudante.
De acordo com o promotor de Justiça Magno Alexandre Moura, o projeto “Na Base do Diálogo: MP na Construção do Respeito e Paz Familiar” ocorre o ano inteiro, principalmente em escolas. A iniciativa, além de esclarecer quais os tipos de violência, apresenta como funciona a rede de proteção à mulher e estimula o diálogo como medida para resolução de conflitos.






















