O procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), Lean Araújo, recebeu, nesta sexta-feira (17), três alunos integrantes do Coletivo Autista da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Os estudantes foram ao MPAL em busca de apoio para o aprimoramento de políticas públicas nas áreas de saúde, mobilidade urbana e empregabilidade que, segundo eles, ainda não contemplam adequadamente autistas adultos.
Após ouvir as colocações dos estudantes, Lean Araújo assegurou que o Ministério Público será um interlocutor do grupo para o aprimoramento e a construção de políticas públicas estruturantes que contemplem as necessidades de autistas adultos.
Segundo ele, a demanda será encaminhada à coordenação das Promotorias de Justiça da Fazenda Pública Municipal, que poderá abrir um procedimento para dialogar com o poder público, com o Coletivo da Ufal e a sociedade para que se implemente, dentro das políticas públicas já existentes, as melhorias e ferramentas que sejam efetivas para o público adulto.
“Para construir uma política pública, é preciso dialogar com vários atores. Mas sabemos que ações nos eixos saúde e transporte já existem, sendo necessário, então, alterar e ampliar essas políticas, que impedem a plenitude do acesso para o público adulto. Quanto à empregabilidade, entendo que carece de uma política pública nacional, sendo necessária a mobilização de outros entes”, explicou o procurador-geral de Justiça.
O mestrando em História Sílvio Rodrigo, que é graduado em Psicologia e integra o Coletivo Autista da Ufal, destacou, durante conversa com o PGJ, que os universitários enfrentam muitas dificuldades e um processo longo até conseguirem o cartão de gratuidade para o transporte público urbano em Maceió. “Em outras capitais, como Recife e Aracaju, esse processo é mais curto e facilitado. Aqui em Maceió, muitos ônibus são velhos e fazem muito barulho. Por isso, precisamos usar um fone abafador, se não, não conseguimos completar a viagem”, apontou.
“Queremos que o poder público em geral nos veja com uma perspectiva mais social e humana, para reduzirmos a desassistência e invisibilidade que tanto afetam os autistas adultos”, colocou o estudante, que estava acompanhado por Cauê Bittencourt, que é mestrando em Informática, e Lucas Sampaio, graduado em Jornalismo.




