Moradores da comunidade Barreiras e de outras localidades no entorno de áreas de manguezais, em Coruripe, participaram de uma Oficina de Cartografia Social e Planejamento Participativo, no âmbito do Projeto Pró-Manguezais, iniciativa coordenada pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) em parceria com o Ministério Público Federal (MPF) que reúne diversos órgãos públicos e entidades com o objetivo de fortalecer a proteção dos manguezais e promover ações socioambientais nos municípios alagoanos.
A oficina, realizada nessa quarta-feira (8), em Coruripe, mobilizou moradores que possuem relação direta com os manguezais: alguns são marisqueiros, outros são pescadores, artesãos, produtores de ostras e protetores ambientais.
Juntos, em um trabalho com o apoio do município de Coruripe, Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), ajudaram a elaborar um diagnóstico detalhado sobre os manguezais de Coruripe, com informações precisas e atualizadas sobre os aspectos ambiental, social, econômico, além de impressões sobre qualidade da água, presença, aumento e redução de algumas espécies de flora, fauna e supostos crimes ambientais.
“É fundamental a participação da população que vive no entorno dos manguezais para que a gente possa diagnosticar e buscar a execução de políticas públicas eficientes para a conservação desse ecossistema importantíssimo, associado ao bioma Mata Atlântica, para as comunidades e para toda a vida marinha. Proteger os manguezais é essencial para garantir pesca farta e sobrevivência das comunidades, bem como diversos serviços ecossistêmicos”, assinalou o promotor de Justiça Alberto Fonseca, que é titular da 4ª Promotoria de Justiça da Capital (Defesa do Meio Ambiente) e um dos coordenadores do Pró-Manguezais em parceria com a promotora de Justiça Lavínia Fragoso, da 5ª PJC (Recursos Hídricos).
A secretária de Meio Ambiente de Coruripe, Luana Spotorno, enfatizou que o município faz parte do projeto-piloto do Pró-Manguezais com a comunidade Barreiras, local de tradição em pesca, ostreicultura e turismo e de grande relevância para proteção dos manguezais.
A professora do curso de Geografia da Ufal, Simone Affonso da Silva, explicou que a próxima etapa é analisar as informações do conjunto de mapas que foram incrementados com o conteúdo trazido pelos moradores. “Na próxima oficina, vamos trazer esses mapas sistematizados para validação. Será uma oficina de planejamento, na qual vamos discutir como transformar esse conteúdo em diretrizes, em objetivos, em ações a serem direcionadas ao poder público e à própria comunidade”, detalhou.
“Alguns temas que surgiram também podem gerar outras pesquisas sobre potencialidades locais, sobre as oportunidades. Mas o mais importante é contribuir com a conservação dos manguezais em Alagoas e com a recuperação das áreas degradadas. Já temos levantamento técnico sobre isso, com espécies de fauna e flora, mas a vivência da população é muito bem-vinda. Por tudo isso, o Pró-Manguezais é um projeto permanente e fundamental”, pontuou a professora, que desenvolveu o trabalho com apoio de 10 estudantes do curso de Geografia.
A procuradora da República Juliana Câmara, do MPF, enfatizou que a Oficina de Cartografia foi um momento muito importante, pois a comunidade compartilhou o conhecimento tradicional com os técnicos para que se possa ter sucesso na recuperação dos manguezais. “A relação entre meio ambiente e pessoas deve ser a mais harmoniosa possível, de modo que possamos manter esse ecossistema saudável para as futuras gerações”, defendeu.
Também parceiro do Pró-Manguezais, o TRT foi representado na Oficina por Rodrigo Rodrigues, que é assistente-chefe da área de Sustentabilidade do órgão. “Nossa participação é para contribuir tanto na parte estrutural quanto com a destinação de algumas condenações em obrigação de fazer, para que os objetivos do projeto sejam alcançados”, salientou.
Ana Carolina Lima, moradora de Barreiras, afirmou que é preciso que toda a comunidade esteja envolvida no projeto que almeja defender o manguezal, bioma tão importante como fonte de renda e alimento. “Quem participou da oficina está muito feliz, pois está aprendendo e passando conhecimento, para mais na frente termos uma ação mais sólida em prol da comunidade”, disse.
Durante a atividade, todos receberam uma cartilha educativa sobre os manguezais, com orientações sobre a importância desse bioma associado à Mata Atlântica, sua contribuição para o meio ambiente como um todo e para as pessoas como local de geração de renda e alimento.
Parcerias
Coordenado pelo Ministério Público de Alagoas e pelo MPF, o Pró-Manguezais já conta com a participação de diversos órgãos e entidades, entre eles: o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA/AL), o Instituto para Preservação da Mata Atlântica (IPMA), a Secretaria de Coordenação e Governança do Patrimônio da União – Superintendência do Patrimônio da União em Alagoas (SPU/AL), a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH), a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), o Instituto Biota de Conservação, o Negócio de Impacto Nosso Mangue, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Barra de São Miguel, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Marechal Deodoro, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Coruripe e o Tribunal Regional do Trabalho (TRT).









































