Eles chegaram buscando socorro. Encontraram dor, abandono e silêncio. Animais frágeis e incapazes de se defender foram submetidos a sofrimento extremo, negligência deliberada e práticas que ferem não apenas a lei, mas a própria ideia de humanidade. Como casos assim não são acidentes, o Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) decidiu agir, denunciando dois homens que acumulam históricos de maus tratos que, inclusive, terminaram com a morte de um animal.
As ações penais, de iniciativa das Promotorias de Justiça Criminais da Capital, com atribuição residual, tiveram como réus as mesmas pessoas. Apesar de serem denúncias criminais distintas, ambas sob segredo de Justiça, elas envolvem os mesmos crimes graves de maus-tratos contra animais, alguns com resultado de lesões permanentes e até morte, praticados em contexto de atendimento veterinário irregular e clandestino.
Sofrimento prolongado, dor evitável
De acordo com as denúncias, os animais foram submetidos a procedimentos sem estrutura mínima, sem condições sanitárias adequadas, privados de cuidados básicos como água, alimentação, medicação e analgesia. Em um dos casos, a conduta resultou em deficiência permanente; em outro, após dias de sofrimento, o animal não resistiu e morreu. Conforme a investigação do MPAL, não se tratou de um erro técnico isolado, mas de um modo de agir reiterado, marcado pela negligência, pela exploração financeira dos tutores e pelo desprezo à vida animal.
Clínica clandestina e risco coletivo
As investigações apontaram que os fatos ocorreram em ambiente sem autorização dos órgãos competentes, com fortes indícios de funcionamento clandestino, ausência de registros profissionais regulares e violação sistemática das normas que regem o exercício da Medicina Veterinária. Além do sofrimento imposto aos animais, o Ministério Público destacou o risco sanitário à coletividade, a fraude contra consumidores e a possível prática de outros crimes correlatos, como estelionato e ilícitos contra a saúde pública.
Medidas firmes para cessar a crueldade
Diante da gravidade dos fatos, o Ministério Público não apenas ofereceu as denúncias, como também requereu medidas cautelares rigorosas, incluindo busca e apreensão, coleta de documentos e equipamentos, acesso a dados digitais e, quando necessário, a retirada imediata de animais em situação de risco, para interromper a continuidade das práticas criminosas e preservar provas.
Defesa da vida, sem relativizações
Por estarem sob sigilo judicial, os nomes dos acusados não podem ser divulgados. O MPAL reforça que a prática é criminosa, envolve maus-tratos a animais e não deixará que os acusados fiquem impunes, uma vez que cada ato de crueldade representa uma violação ética profunda e um crime ambiental grave, que exige resposta firme do sistema de Justiça.
