Há momentos em que cuidar começa simplesmente por parar, ouvir e estar verdadeiramente disponível para o outro. Foi com esse propósito que o Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) levou, nesta terça-feira (22), a Arapiraca, a programação especial do Setembro Amarelo, reunindo membros, servidores, estagiários e colaboradores em torno de um tema que atravessa a vida pessoal e profissional de cada indivíduo: a saúde mental. Na sede das Promotorias de Justiça da cidade, o encontro contou com a 4ª oficina de Primeiros Socorros Psicológicos (PPP), conduzida pela psicóloga do MPAL Laís Macedo, e com o Café com Escuta, momento de convivência, acolhimento e partilha entre os integrantes da instituição. A proposta de ambas as atividades foi mais do que transmitir informações, passando pela criação de um espaço para refletir sobre como reconhecer alguém que está em sofrimento, como oferecer uma primeira escuta, quando buscar ajuda especializada e, sobretudo, como cuidar de quem cuida.
Durante a oficina, Laís Macedo destacou que os conhecimentos sobre primeiros socorros psicológicos podem fazer diferença tanto na vida institucional quanto nas relações cotidianas.“Ser capaz de identificar quando alguém não está bem, o sofrimento psíquico grave, e poder acolher e encaminhar aquela pessoa de maneira adequada favorece o próprio cidadão, que vai ser bem acolhido, e também o servidor, que sente que naquele momento conseguiu escutar, encaminhar e respeitar os próprios limites dessa acolhida”, explicou.
Para a psicóloga, reconhecer os próprios limites também parte essencial do cuidado: “Entender o que eu sou capaz de fazer e o que eu não sou capaz de fazer é fundamental para preservar uma certa sensação de autoestima, de capacidade, e resguardar a nossa saúde”, afirmou ela.
Um café para ouvir e estar perto
Antes da oficina começar, o Café com Escuta trouxe uma atmosfera mais descontraída e afetiva para o encontro. A atividade foi pensada como uma oportunidade de fortalecer vínculos, compartilhar experiências e lembrar que, por trás das funções e responsabilidades institucionais, existem pessoas que também precisam de acolhimento.
A presidente da Comissão de Prevenção a Situações de Risco à Saúde Mental do MPAL, Sandra Malta, destacou a receptividade e a integração encontradas em Arapiraca: “Arapiraca tem essa vibração diferente. Vocês realmente possuem uma integração admirável, o que facilita muito o desenvolvimento dos trabalhos”, pontuou a procuradora de Justiça.
Em continuidade à sua fala, Sandra Malta lembrou que a realização do Café com Escuta no município acabou se tornando um importante momento de aproximação entre os integrantes da instituição. “O Café com Escuta em Arapiraca foi um grande sucesso em 2025. Na verdade, foi um marco. E essa integração entre o Centro de Autocomposição de Conflitos do Ministério Público do MPAL e a Comissão de Prevenção a Situações de Risco à Saúde Mental transforma o Setembro Amarelo em espaço de escuta, acolhimento e cuidado em Arapiraca”, enfatizou.
Diretor do Compor, o procurador de Justiça Valter Acioly também falou sobre a necessidade de existir momentos como esse: “Por trás de cada função, de cada processo e de cada atendimento, existe uma pessoa. Criar espaços de escuta como este é reconhecer que também precisamos ser cuidados e que falar sobre saúde mental deve fazer parte da nossa rotina”, defendeu.
A procuradora de Justiça Silvana Abreu ressaltou que falar de saúde exige olhar para o ser humano de maneira integral, incluindo aspectos emocionais e espirituais: “Temos que pensar nesse momento como uma oportunidade em que nós nos unimos para cuidar da nossa saúde. E saúde não é só o físico, especialmente a saúde mental, que vai muito além”, reforçou.
Ela também relacionou o encontro ao propósito central do Setembro Amarelo: a prevenção do suicídio e a construção de redes de apoio. “Trabalhamos o Setembro Amarelo justamente para essa prevenção, para que nós possamos não só nos cuidar, mas também cuidar daqueles que pedem ajuda”, disse a procuradora.
Cuidar para enfrentar as adversidades
Para Laís Macedo, desenvolver habilidades para lidar com situações difíceis não significa eliminar as adversidades, mas ampliar a capacidade de enfrentá-las. “A vida é feita de adversidades. A gente não tem como escapar disso. Quanto mais habilidade a gente tiver para manejar essas adversidades, mais vai se sentir capaz de manejar a vida e viver bem”, explicou.
A psicóloga reforçou ainda que a escuta não significa assumir para si a responsabilidade de resolver o sofrimento do outro. “Saber acolher também envolve reconhecer quando é necessário encaminhar a pessoa para profissionais e serviços especializados. Essa compreensão é especialmente importante no Ministério Público, onde membros, servidores e estagiários lidam diariamente com pessoas que chegam à instituição em situações de vulnerabilidade”, destacou ela.
Para Claritiana Pereira, assistente social do Ministério Público, o bem-estar do servidor faz com que ele se sinta motivado, goste do que está fazendo e seja mais propositivo e proativo: “Ele deixa de enxergar o trabalho como um fardo e passa a perceber que aquilo que faz tem sentido e que está sendo útil para a sociedade. Quando esse sentimento acontece de forma genuína, temos um clima organizacional melhor, relações interpessoais mais saudáveis e, consequentemente, uma melhor produtividade.”, lembrou.
A programação em Arapiraca integra as ações do MPAL pelo Setembro Amarelo, que vêm percorrendo diferentes unidades da instituição com atividades voltadas à prevenção, ao acolhimento e à promoção da saúde mental. Fabiana Ide, servidora do MPAL, comentou o quanto as atividades desta terça-feira a fizeram bem: “Quando existe um ambiente em que as pessoas se sentem acolhidas e têm liberdade para conversar, isso muda a forma como a gente vive o trabalho. Nós passamos a enxergar o colega não apenas pela função que ele exerce, mas como uma pessoa que também tem suas dificuldades, seus sentimentos e suas necessidades”, disse ela.
Micaele de Oliveira, estagiária do Ministério Público, também celebrou a manhã de aprendizados: “A gente sai daqui entendendo que escutar o outro é importante, mas também que precisamos aprender a nos escutar. Foi um momento muito importante para refletir sobre isso”, garantiu.
