Na tarde desta sexta-feira (7), a Sala do Colégio de Procuradores de Justiça do Ministério Público de Alagoas (MPAL) foi o espaço de uma roda de conversa sobre “Gênero e Sexualidade”, quando os participantes puderam contar suas histórias, os desafios que já enfrentaram e as dificuldades que ainda enfrentam apenas por serem quem são.

Eles falaram sobre preconceitos, aceitação social e familiar, acesso à educação e saúde, cultura e religiosidade. Por iniciativa do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos e Direito Internacional (NUDDHI) e da Escola Superior do Ministério Público de Alagoas (ESMPAL), a atividade permitiu que fossem trocadas experiências e debatidas ações que podem garantir o acesso a direitos e a cidadania.

Ainda falta alcançar muita coisa para termos um mínimo de igualdade. A nossa humanidade está em jogo, muitas vezes somos desumanizados. Nós queremos parar de sempre querer sobreviver”, afirmaram os participantes, entre eles, estudantes de ensino médio, universitários, advogados, mães de pessoas LGBTQIAPN+ que lutam por direitos e igualdade para seus filhos, gestores públicos, médico, psicólogos, pastora e artesãs.

A promotora de Justiça Alexandra Beurlen, coordenadora do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos e Direito Internacional, lembrou que, quanto mais compreendermos as questões relacionadas a gênero e sexualidade, mais simples tornamos o exercício dos direitos fundamentais por pessoas que fogem aos padrões de heterocisnormatividade.

Discutir gênero e sexualidade e as questões que envolvem o público LGBTQIAPN+ é essencial para compreender essas diferenças e respeitar os direitos constitucionais dessa população. Para um integrante do Ministério Público é ainda mais importante, já que é nosso dever institucional assegurar o respeito de todos a tais direitos”, assinalou a promotora de Justiça.

O posicionamento também foi defendido pelo defensor público Isaac Souto, da Defensoria Pública Estadual (DPE), pelo secretário de Estado dos Direitos Humanos, Marcelo Nascimento, por Else Freire, presidenta da Comissão de Diversidade da OAB/AL, e por Rauldrin, representante da Comissão de Direitos Humanos da OAB/AL.

Segundo a psicóloga do MPAL Luciana Dantas Tenório, as questões referentes à população LGBTQIAPN+ impactam infinitamente na saúde mental. “Todos esses conflitos e preconceito pelos quais essas pessoas passam aumentam consideravelmente os riscos de depressão, suicídio e todo um estado de vulnerabilidade. Então, é importante debater essas questões e promover espaços de acolhimento e de escuta”, salientou a psicóloga.

Participam da roda de conversa, entre outros, João Facchinetti, Rafael Cavalcante, Odja Barros, Luz Vasques, Lua de Kendra, Adriana Lourenço, Peter Brasil e Dominic Aquiles, convidados com atuação em diferentes áreas e na defesa dos direitos humanos e da população LGBTQIAPN+.