“Você tem 8 minutos? Escuta que acolhe” é o tema e também uma reflexão proposta pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), por meio de sua campanha “Setembro Amarelo”, para chamar atenção aos cuidados com a saúde mental e a prevenção ao suicídio. A proposta, lançada nesta terça-feira (2), no auditório do prédio-sede, em Maceió, demonstra o compromisso institucional com a saúde mental de servidores, membros e da sociedade em geral.

Ao fazer uma reflexão sobre a disponibilidade de tempo de 8 minutos, a campanha é um chamado à responsabilidade para ouvir, acolher e cuidar do próximo e, ao mesmo tempo, lembra que bastam alguns minutos de atenção genuína, escuta ativa e empática, para que alguém em sofrimento encontre apoio e esperança.

Segundo o subprocurador-geral administrativo e institucional, Walber Valente de Lima, que na ocasião representou o procurador-geral de Justiça, Lean Araújo, a campanha demonstra que a defesa da vida é um compromisso do Ministério Público de Alagoas. “Ninguém pode enfrentar sozinho os desafios da saúde mental. O MPAL, com esta campanha, tenta contribuir para o melhor convívio social. Que estejamos todos mais bem preparados para saber lidar com situações tão complicadas”, ressaltou.

Na mesma ocasião, a procuradora de Justiça Sandra Malta Prata Lima reforçou que a campanha é essencial para promover prevenção e cuidado da saúde mental e prevenção ao suicídio. “Vivemos em um mundo com muitas atribuições, muitas cobranças. Oito minutos é o tempo em que podemos salvar uma vida. É necessário olharmos para quem está junto de nós, seja no trabalho, seja em casa”, acrescentou.

Ela adiantou que a campanha Setembro Amarelo terá um momento chamado “Café com Escuta”, que será desenvolvido durante todo esse mês nas unidades do MPAL na capital e no interior. Também haverá outras atividades alusivas ao tema, como rodas de conversa, palestras e oficinas voltadas para o cuidado com a saúde mental, além da presença nas redes sociais do Ministério Público, nas quais serão veiculados quatro vídeos com experimentos sociais sobre acolhimento.

Integrante do coro Cantus Legis, do MPAL, que fez uma apresentação da música “Peça Felicidade” durante o lançamento da campanha, a procuradora de Justiça Silvana Abreu salientou que 8 minutos de tempo para ouvir o próximo são também 8 notas musicais. “O canto traz alegria, traz aprendizagem, e é também atividade de saúde, exige corpo, mente e coração em harmonia”, assinalou.

As promotoras de Justiça Fernanda Moreira e Micheline Tenório, representando, respectivamente, a Escola Superior do MPAL e o Núcleo de Defesa da Saúde Pública, destacaram a importância da campanha Setembro Amarelo em promover escuta, capacitação de servidores e membros sobre temas como saúde mental, prevenção à depressão, ao suicídio e ao assédio.

Já o procurador de Justiça Maurício Pita, que é ouvidor-geral do MPAL, acrescentou que “quem sofrer qualquer assédio, venha de onde vier, comunique a Ouvidoria que as providências serão tomadas”. Na oportunidade, os promotores de Justiça Givaldo Lessa, dirigente da Associação do Ministério Público (AMPAL), e José Antônio Malta Maques, diretor do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça (CAOP), também enfatizaram a importância da campanha Setembro Amarelo e do cuidado constante com a saúde mental.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, a cada 40 segundos, uma pessoa em algum lugar do mundo tira a própria vida. Em média, 800 mil pessoas cometem suicídio por ano em todo o planeta.

Histórias reais e experimentos sociais dão o tom da campanha nas redes

Para a campanha 2025, a estratégia do Ministério Público para o Setembro Amarelo apostou na força de narrativas reais e na espontaneidade das interações humanas para sensibilizar o público nas redes sociais. Ao todo, foram produzidos oito vídeos, com formatos distintos, mas conectados por um mesmo propósito: provocar reflexão a partir de experiências concretas de dor, superação e acolhimento.

Quatro desses conteúdos foram construídos a partir de experimentos sociais realizados em espaços públicos de Maceió e Arapiraca, esta última, a segunda maior cidade do estado. Neles, personagens com histórias marcadas por sofrimento emocional ocuparam ruas movimentadas segurando cartazes com mensagens que sugeriam gestos simples de empatia, como um abraço, uma conversa ou alguns minutos de atenção. A proposta era observar, sem roteiro pré-definido, como as pessoas reagiriam diante de um pedido direto de afeto e, sobretudo, evidenciar o impacto dessas pequenas atitudes.

Entre os participantes, a universitária Viviane Araújo compartilhou sua vivência com a depressão durante o período da pandemia, expondo a vulnerabilidade enfrentada por muitos jovens. Já a produtora cultural Eliana Barros trouxe um relato mais longo e intenso, marcado pelo início precoce da depressão, ainda na infância, episódios de síndrome do pânico, múltiplas tentativas de suicídio e a internação psiquiátrica como parte do processo de cuidado e recuperação. O vídeo dele, como foi o primeiro da websérie, foi exibido durante o lançamento da campanha. 

Outro recorte importante foi apresentado pelo fotógrafo Claudemir Mota, que revelou o desenvolvimento da depressão na terceira idade, acompanhado de crises de ansiedade e choro frequente, o que simbolizou um alerta para um público que, muitas vezes, tem o sofrimento emocional invisibilizado. Já em Arapiraca, a colaboradora do MPAL Maria Alves protagonizou um dos vídeos mais sensíveis da série ao relatar o impacto simultâneo de um tratamento contra o câncer de mama e da perda da irmã por suicídio. O episódio desencadeou um quadro depressivo que a levou ao isolamento e ao afastamento do trabalho, sendo necessário acompanhamento psiquiátrico para sua recuperação.

Além dos experimentos, os outros quatro vídeos ampliarão o alcance da campanha ao abordar diferentes frentes. Um deles apresentará o lançamento oficial da campanha, contextualizando a proposta e o convite à escuta. Outro explicará a origem do Setembro Amarelo, resgatando a mobilização internacional iniciada nos Estados Unidos e que deu nome ao movimento de prevenção ao suicídio. Já os dois vídeos finais vão registrar as edições do projeto “Café com escuta”,  que serão realizadas em Maceió e Arapiraca, mostrando na prática rodas de conversa voltadas ao acolhimento, à troca de experiências e ao fortalecimento da saúde mental.

Ao detalhar trajetórias individuais e expor reações reais do público, os conteúdos querem reforçar que o debate sobre saúde mental passa, sobretudo, pelo reconhecimento da dor do outro, e pela disposição de não ignorá-la.

Capacitação e palestras

Para capacitar os servidores e membros do MPAL que participaram do lançamento da campanha, foram promovidas duas palestras. As psicólogas convidadas Micheline Falcão Tenório e Jacqueline Leão falaram sobre os temas “Cuidados com a Saúde Mental e Escuta Acolhedora” e “Assédio – consequências para a saúde mental”.

Elas citaram os principais fatores que desencadeiam distúrbios na saúde mental, como: acúmulo de estresse e pressão constante; traumas e lutos não elaborados; falta de acolhimento e vínculos afetivos; autocrítica e baixa autoestima; privação de sono e de lazer; excesso de comparações e hiperexposição.

Elas também alertaram para sinais que merecem atenção, como: mudanças repentinas de humor; alterações no sono e no apetite; isolamento social; perda de interesse em atividades antes apreciadas; dificuldade de concentração; sentimentos constantes de tristeza ou irritabilidade; pensamentos suicidas; e dificuldade em lidar com o estresse.

A campanha Setembro Amarelo do MPAL é uma iniciativa da Comissão de Prevenção a Situações de Risco à Saúde Mental, do Núcleo de Defesa da Saúde Pública (NUDESAP) e do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça (CAOP), com apoio da Associação do Ministério Público (AMPAL) e das Promotorias de Justiça.