Um momento de muitas expectativas, de comoção e esperança. Nessa quarta-feira (29), familiares e amigos, bem como dezenas de munícipes aguardaram, no Fórum de Viçosa/AL, a condenação de José Ricardo dos Santos pelo bárbaro assassinato da professora Cenira Angélica, ocorrido em 2018. Representado pelo promotor de Justiça Gustavo Arns, o Ministério Público de Alagoas (MPAL), atuando com firmeza e respaldado por provas indiscutíveis, levou o réu à sentença de 29 anos, oito meses e 16 dias de prisão em regime inicialmente fechado. A acusação teve a assistência do advogado Mozart Costa.

Apesar de a defesa tentar convencer o conselho de sentença da inocência do seu cliente, cogitando ser de outra pessoa a autoria material do crime, o Ministério Público afirmou não haver a menor possibilidade e sustentou o pedido das qualificadoras por motivo fútil, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e feminicídio.

“Finalizada a sessão do júri, o conselho de sentença reconheceu todas as qualificadoras, materialidade, autoria, que foram imputadas na denúncia. Então, hoje, aqui em Viçosa, fizemos justiça em um caso tão emblemático que merece uma resposta do Poder Judiciário. Com essa condenação, demonstramos que há um combate à violência doméstica, que estaremos a postos e atuando para fazer com que, dentro da lei, os criminosos sejam punidos, novos fatos que vitimizam as mulheres em nossa sociedade. Paralelamente, amenizamos a dor da família e dos amigos”, destaca o promotor Gustavo Arns.

Irmãos da vítima, bastante abalados, acreditavam na condenação e os olhares brilharam quando a juíza Juliana Batistela anunciou que faria a leitura da sentença.

“Até hoje todos sofremos com essa monstruosidade, a Angélica era uma pessoa boa, extrovertida, amava ajudar os outros, muito querida na escola. Éramos muito unidas e essa perda foi avassaladora”, disse a irmã, que identificou-se como Aline.

O caso

A professora Cenira Angélica foi assassinada dentro de casa no dia 2 de março de 2018, com 37 golpes de arma branca. Ela estava tomando banho quando foi surpreendida pela fúria do condenado José Ricardo dos Santos. A vítima teria corrido para a rua com o intuito de pedir socorro, mas não havia a menor chance de resistir diante das inúmeras perfurações em locais vitais.

Conforme os depoimentos prestados pelas testemunhas e também, confirmados por familiares e amigos, o réu, que à época trabalhava em uma farmácia, era extremamente ciumento e possessivo ao ponto de pegar o aparelho celular da vítima e conversar com amigos se passando por ela.

No dia do crime, uma das testemunhas, vizinha da vítima, disse ter ouvido a professora Angélica gritando o nome dele, mas como sempre discutiam não imaginou, naquele momento, que pudesse acontecer tal barbárie.

Traslado

Após assassinar Angélica, o criminoso empreendeu fuga em uma motocicleta. No entanto, ao negar, até o momento do júri, a autoria do feminicídio, afirmou ter emprestado o veículo a um primo que, inclusive, morreu em um acidente ficando o conselho de sentença apenas com a sua versão.

José Ricardo foi localizado e preso em dezembro de 2023, no estado do Mato Grosso, sendo ouvido por conferência, durante o julgamento, de dentro do presídio. Mas, a juíza Juliana Batistela determinou que fosse providenciada a transferência dele para o cumprimento da pena em Alagoas.