Conhecer o manguezal de perto, aprender com as comunidades tradicionais e participar de ações para a recuperação desse ecossistema: esas são algumas das experiências que integram a programação promovida pelo projeto Pró-Manguezais em 2026, em alusão ao Dia Mundial de Proteção aos Manguezais, celebrado em 26 de julho. As atividades começam nesta quarta-feira, 22 de julho, e seguem até 16 de agosto, em diferentes municípios e comunidades de Alagoas, e fazem parte de mais uma etapa do projeto Pró-Manguezais, fruto de uma cooperação técnica entre 15 instituições públicas e privadas. Coordenado pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) e Ministério Público Federal (MPF), o projeto visa incentivar, de forma colaborativa, a recuperação, conservação, proteção e o uso sustentável dos recursos em ecossistemas manguezais, a preservação dos recursos hídricos e das espécies de fauna e flora no âmbito do Estado de Alagoas.

A programação reúne visitas a viveiros, trilhas educativas, plantio e produção de mudas, coleta responsável de sementes, mutirões de limpeza, contação de histórias, jogos, oficinas, cinema ambiental e atividades ligadas à pesca artesanal e aos saberes tradicionais.

As ações serão realizadas em localidades como Maceió, Coruripe, Barra de São Miguel e Marechal Deodoro, além da Área de Proteção Ambiental de Santa Rita. Escolas, comunidades pesqueiras, instituições públicas e organizações socioambientais participam da mobilização.

O objetivo é aproximar crianças, jovens e adultos dos manguezais e mostrar como esses ambientes fazem parte da vida das comunidades, da proteção do litoral e da manutenção da biodiversidade. A programação também busca estimular a participação da população na recuperação de áreas degradadas e no uso sustentável dos recursos naturais.

O Pró-Manguezais reúne, além do MPAL e do MPF, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL), a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), a Superintendência do Patrimônio da União em Alagoas (SPU/AL), a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Barra de São Miguel, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Marechal Deodoro, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Coruripe, o Instituto para Preservação da Mata Atlântica (IPMA), o Instituto Biota de Conservação, o Negócio de Impacto Nosso Mangue e o Tribunal Regional do Trabalho de Alagoas (TRT 19ª região).

Entre os destaques está a programação de 23 de julho, em Coruripe, com a Expedição Mangue Vivo, um mutirão de limpeza e a inauguração do Centro de Recuperação de Manguezais do município. No dia 26, quando se celebra o Dia Mundial de Proteção aos Manguezais, integrantes da pesca artesanal e técnicos socioambientais participarão da coleta de propágulos nas camboas do Sul, na APA de Santa Rita.

Nos dias 28, 29 e 30 de julho, escolas e instituições ambientais desenvolverão, na Barra de São Miguel, uma sequência de atividades que começa com a identificação e a coleta responsável de sementes. Em seguida, serão realizadas a preparação das sementes, a produção de mudas e o plantio em áreas de recuperação ambiental no Rio Niquim e na Laguna do Roteiro. A programação também inclui caminhada ecológica, mutirões de limpeza e ações de conscientização.

A programação de 2026 conta com atividades promovidas pelo Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), Instituto Biota de Conservação, Nosso Mangue, Instituto EcoManguaba, Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Usina Caeté e parceiros locais.

Conhecimento e pertencimento

Criado a partir da cooperação entre instituições públicas, organizações socioambientais, universidades e comunidades, o Pró-Manguezais busca promover a recuperação, a conservação, a proteção e o uso sustentável dos manguezais de Alagoas. O projeto é coordenado pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) e pelo Ministério Público Federal (MPF).

Para a promotora de Justiça Lavínia Fragoso, idealizadora do projeto, a programação permite unir conhecimento científico, educação ambiental e experiências construídas pelas próprias comunidades. “Cuidar dos manguezais também significa reconhecer os saberes e a relação das comunidades com esses ambientes. Ao envolver escolas, pesquisadores, instituições e moradores, fortalecemos o sentimento de pertencimento e construímos caminhos coletivos para sua proteção”, afirma.

A procuradora da República Juliana Câmara, uma das coordenadoras do Pró-Manguezais, ressalta que os manguezais cumprem funções importantes para toda a sociedade. “Os manguezais protegem a biodiversidade, contribuem para o equilíbrio climático e garantem alimento e renda a muitas famílias. A programação convida a população a conhecer melhor esse ecossistema e a participar, de forma concreta, de sua conservação e recuperação”, destaca.

Confira a programação

22 de julho – Nosso Mangue

Tour de Vivência no Viveiro, com experiência sensorial, Enigma do Mangue, adoção de mudas e MangueGoods.
Turmas: das 9h às 11h e das 14h às 16h.

23 de julho – Coruripe e Instituto EcoManguaba

Em Coruripe, serão realizadas a Expedição Mangue Vivo, um mutirão de limpeza e a inauguração do Centro de Recuperação de Manguezais.

O Instituto EcoManguaba receberá participantes do Seminário Pesca Artesanal e Mudanças Climáticas 2026 – Jornada por Direitos.

24 de julho – Nosso Mangue e Instituto EcoManguaba

A Rota Cultural do Nosso Mangue terá visita ao Inbordal, Gincana do ABC do Filé e jogo de tabuleiro.
Turmas: das 9h às 11h e das 14h às 16h.

O Instituto EcoManguaba promoverá, das 9h às 20h, o Sarau do MTD, dentro da programação do Seminário da Pesca Artesanal e Mudanças Climáticas – Pós-COP30, na APA de Santa Rita.

25 de julho – Instituto EcoManguaba

Passeio da Miss Sururu, plantio de mangue-vermelho, atividade de formação e conversa sobre o capítulo Nordeste do Pró-Manguezais e a reativação da Rede EduMangue 2030.
Horário: das 9h às 14h.

26 de julho – Instituto EcoManguaba

Coleta de propágulos nas camboas do Sul, destinada a técnicos socioambientais e à comunidade pesqueira da APA de Santa Rita.

27 de julho – MP/AL, Usina Caeté e Instituto Biota

Entrega e apresentação das cartilhas MangueGoods: conhecendo e colorindo o manguezal e O tesouro do manguezal: uma história divertida para estudantes do 3º ao 5º ano da Escola Conceição Lyra.

No Cemei de Riacho Doce, o Instituto Biota promoverá contação de histórias, exposição, apresentação sobre o manguezal, jogo de trilha, teatro de fantoches e oficina de produção de mudas.
Horário: das 9h às 12h.

28 de julho – Barra de São Miguel

Atividade de educação ambiental com escolas, identificação e coleta responsável de sementes, caminhada ecológica e mutirão de limpeza na Laguna do Roteiro.

29 de julho – Nosso Mangue, Barra de São Miguel, IMA e Instituto Biota

A Trilha da Pesca, promovida pelo Nosso Mangue, terá conversa com Seu Zito, demonstração de costura de rede, concurso de tarrafada e pescaria educativa com identificação de peixes locais.
Turmas: das 9h às 11h e das 14h às 16h.

Na Barra de São Miguel, serão realizadas a preparação das sementes coletadas e a produção de mudas para recuperação ambiental.

Na Escola Floriano Peixoto, em Ipioca, o Instituto Biota promoverá atividades educativas e uma oficina de produção de mudas.
Horário: das 9h às 12h.

30 de julho – Barra de São Miguel e IMA

Plantio de mudas em áreas de recuperação ambiental no Rio Niquim e na Laguna do Roteiro, acompanhado de mutirão de limpeza e conscientização ambiental.

31 de julho – IMA e Instituto Biota

O IMA promoverá uma sessão de Ecocine sobre manguezais para estudantes da educação básica, em Marechal Deodoro.

No Cemei de Jacarecica, o Instituto Biota realizará contação de histórias, exposição, jogo de trilha, teatro de fantoches e oficina de produção de mudas.
Horário: das 9h às 12h.

14 de agosto – Nosso Mangue

Mangue Vive, com atividades de educação ambiental destinadas a estudantes das escolas da Garça Torta.

16 de agosto – Nosso Mangue

Mangue Vive, com ação cultural e de educação ambiental voltada à comunidade da Garça Torta.

Texto: Asco MPF