A manhã dessa terça-feira (24) foi de muito aprendizado no prédio-sede da Procuradoria-Geral de Justiça do Ministério Público de Alagoas (MPAL), durante o IV Encontro da Rede de Busca Imediata do Plid/AL promovido pelo Núcleo de Apoio às Vítimas e Desaparecidos (Navid), coordenado pela promotora de Justiça Marluce Falcão. A abertura do evento foi feita pela procuradora de Justiça Silvana Abreu, representando o procurador-geral de Justiça Lean Araújo, contou com a presença do promotor de Justiça e chefe de gabinete Humberto bulhões. O momento teve a participação especial do jornalista Dêniel Barros, acompanhado do seu irmão Rafael que esteve desaparecido em São Paulo. 

Com uma programação enriquecedora, os participantes puderam aproveitar palestras com temas importantes, todos voltados para direitos, acolhimento e operacionalidade durante o processo de busca de pessoas desaparecidas. O primeiro deles, e que trouxe um panorama sobre “Direitos das Vítimas do Desaparecimento: um olhar humanizado” ficou sob a responsabilidade da promotora Marluce Falcão que também integra o Comitê Nacional do Sinalid/CNMP e o Comitê Ministerial de Defesa dos Direitos das Vítimas (CMDD/CNMP). Na oportunidade, ela pontuou sobre a política nacional de busca de pessoas desaparecidas, protocolos utilizados nesse processo e proteção de dados, ressaltando a atuação do Plid em Alagoas. A representante ministerial deixou claro que a instituição tem se desdobrado para mudar a realidade do desaparecimento e mostrou a evolução desde o início do programa.

“O desaparecimento de pessoas é um problema social complexo que desestrutura famílias e gera um profundo ciclo de dor e incerteza. Por isso, exige uma atuação estatal eficiente, integrada e permanente, capaz de mobilizar instituições e garantir que cada caso seja tratado com a urgência, a sensibilidade e o compromisso que a situação exige. Assim, é essencial uma atuação estatal integrada, permanente e humanizada, garantindo que cada caso de desaparecimento seja tratado com urgência, responsabilidade e compromisso de resultado. Pensando nisso, o Navid e a Escola Superior do Ministério Público iniciaram a capacitação da Rede de Busca Imediata do PLID/MPAL, promovendo a reunião de promotores de Justiças, servidores, agentes de segurança pública e diversas instituições que integram o PLIDAL com o intuito de prestarem à sociedade alagoana um serviço de excelência que prime por ser acolhedor e humanizado”, destaca a coordenadora do Navid/MPAL.

O evento foi dividido em três palestras e, no segundo eixo, o tema foi defendido por integrantes da Ronda do Bairro. A tenente-coronel Josiene Lima, atual superintendente, explanou sobre o estudo do caso “Desaparecimento de “Mônica” e teve na comitiva representante da Secretaria de Estado de Prevenção (Seprev), a assistente social Pollyanna Christine Cavalcante Góes, a psicóloga Júlia Betrão e Gabriel Barbosa egresso do Exército Brasileiro.

Já a psicóloga Jaqueline Farias Leão, incumbida da segunda palestra, prendeu a atenção dos participantes numa temática considerada de suma importância, ela discorreu sobre “Dimensões Psicológicas do Acolhimento Humanizado das Vítimas e Familiares do Desaparecimento- A Dor do Outro” enfatizando sempre a necessidade de se recepcionar com acolhimento humanizado os familiares e , também, as vítimas, evitando a revitimização e garantindo dignidade a todos. Ela esclareceu que um diálogo objetivo deve ser o adotado e que o calor humano deve substituir sempre a fala técnica, difícil, enquanto os julgamentos devem ceder espaço para frases que possam levar acalento.

Para o encerramento, o delegado da Polícia Civil, Ronilson Medeiros, gestor da Coordenação de Pessoas Desaparecidas da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), tratou da “Atuação da Polícia Judiciária na Busca de Pessoas Desaparecidas no Estado de Alagoas”, elencando do Boletim de Ocorrência e as respectivas obrigações dos agentes da Segurança Pública à operacionalização, investigação, bem como às políticas públicas de busca enfatizando a ferramenta

Alerta Amber. Ele apresento dados estatísticos mostrando os números relacionados às pessoas desaparecidas por categoria, comprovadamente adultos, do sexo masculino, no pódio dessa triste realidade.

O momento serviu para pontuarmos sobre compromisso e obrigações, sobre encontrarmos atalhos para salvar vidas sem julgamentos. Para falarmos de índices catalogados em todo estado, hoje, infelizmente, com mais de 700 pessoas que sumiram. Precisamos unir forças, entender que buscar por pessoas desaparecidas , seja qual for a forma de desaparecimento, é uma grande responsabilidade, que os casos solucionados não são troféus, apenas refletem batalhas vencidas e que nos dão a certeza de uma missão cumprida de forma exitosa “, declara o delegado.

Outros quesitos considerados fundamentais e que foram aprovados pelos participantes do encontro direcionaram para a necessidade de maior conectividade entre os órgãos, estruturação adequada para que possam obter mais ganhos, resultados positivos e tempo resposta possa ser mais célere. Como política de atuação, em caso do desaparecimento, vale ressaltar que a união de forças leva mais longe e, tanto o Ministério Público de Alagoas, quanto toda a rede Plid, têm esse compromisso com a sociedade.

Fotos: Claudemir Mota