“A primeira temporada de julgamentos dele encerra hoje, parece uma Netflix de filme de terror. O Ministério Público sai satisfeito com o resultado do seu trabalho, obtivemos uma pena que ultrapassou os 22 anos, mais uma vez a sociedade alagoana fez justiça e acredito que ele mesmo tenha consciência disso”. A fala do promotor de Justiça Antônio Vilas Boas que, firmemente, conseguiu as seis condeções previstas, refere-se ao réu Albino dos Santos Lima, conhecido como um dos maiores “serial killers” do país e, nesta quinta-feira (5), enfrentou pela sétima vez o banco dos réus, recebendo a sentença de 22 anos, cinco meses e 15 dias de reclusão. O julgamento de hoje foi pela morte da idosa Genilda Maria da Conceição, 71 anos, ocorrida em 2019 na Chã da Jaqueira, em Maceió. Este foi o último, da lista de crimes de Albino, a serem julgados na 7ª Vara Criminal da Capital. Somando as sete condenações, o réu contabiliza 174 anos, seis meses e oito dias de prisão em regime fechado.

Usando das mesmas estratégias, réu e defesa tentaram mais uma vez desqualificar os laudos já apresentados, insistindo na afirmação de que ele seria uma pessoa inimputável. Além disso, sobre o crime de Genilda Maria, Albino chegou a afirmar, inclusive, que na delegacia teria confessado sob coação. “Não há nenhuma prova concreta, conclusiva, que prove que fui eu. O problema é que, no dia da confissão, me colocaram na delegacia, numa cela com chão gelado, os mosquitos me mordendo, e eu, agoniado com o barulho do trem, disse: vá, vá, vá, vá, bote logo pra mim. Mas, depois pensei: rapaz, tenho que ir lá e desfazer isso porque não fui eu”.

No entanto, o Ministério Público, munido de provas incontestáveis e de suas convicções, começou a desmanchar os álibis do réu mostrando o vídeo do dia do referido depoimento, onde Albino Santos se encontrava sentando, aparentemente tranquilo, numa sala iluminada, ladeado pelo advogado Geoberto. O que levou, também, o representante ministerial a achar contraditório o mesmo está na presença do seu defensor e este permitir que confessasse um crime, sem que fosse de sua autoria.

Em seus questionamentos, o promotor Vilas Boas quis saber do réu onde ele estava na hora e dia do assassinato da idosa, mas ele não soube responder. Não sei , talvez no trabalho, ou fazendo bico, talvez”, numa demonstração de que suas falas de autodefesa não teriam como se sustentar. No julgamento desta terça-feira, a única surpresa foi o réu não atribuir o crime ao arcanjo Miguel, o que já havia se tornado corriqueiro, sem fundamento e cansativo para o Ministério Público e os conselhos de sentença. Apesar de negar a autoria da morte de Genilda da Conceição, mais uma vez ele não soube explicar o porque de o nome da vítima e a data do fato estarem em arquivos encontrados em seu celular, apreendido pela polícia, da mesma forma que os nomes e datas de execução das demais. Nesse ínterim, o promotor mostrou aos jurados as fotos dos autos provando, lembrando que Albino tinha duas pastas nomeadas como “odiadas do Instagram” e “mortes especiais”.

À época do crime, o “serial killer” era vizinho de Genilda da Conceição e teria matado a idosa por deduzir que a mesma tinha conexão com o tráfico de drogas, ou facções, porque, perto da sua residência, alguns usuários costumavam se reunir . Por essa razão, observou a rotina da vítima e resolveu emboscá-la logo cedinho, por volta das 6h40, ao atravessar um beco, quando levava o neto de 11 anos para a escola.

“Não sei o que falar, o sentimento de um filho perder uma mãe todos devem saber, ainda mais dessa forma. Não posso falar o que gostaria, então prefiro silenciar”, disse o filho da dona Genilda que se apresentou como Evilásio. Ele seria a única pessoa a ser ouvida, mas o Ministério Público optou por dispensar.

O caso de Genilda da Conceição levaria ao banco dos réus outro homem identificado como Antônio Guilherme, e seu irmão, à época também moradores da Chã da Jaqueira, onde ela e Albino moravam. Porém, dias antes de ocorrer o julgamento, foi comprovado pelo advogado de ambos que os projéteis extraídos do corpo da idosa não eram compatíveis com a arma de um dos seus clientes, tendo a polícia se certificado que o autor era Albino.

Fotos: Dulce Melo e Anderson Macena