{"id":6490,"date":"2016-11-30T11:12:28","date_gmt":"2016-11-30T13:12:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/?p=6490"},"modified":"2022-05-26T11:12:41","modified_gmt":"2022-05-26T14:12:41","slug":"fpi-do-sao-francisco-descobre-pinturas-rupestres-ineditas-em-sitios-arqueologicos-de-olho-dagua-do-casado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/?p=6490","title":{"rendered":"FPI do S\u00e3o Francisco descobre pinturas rupestres in\u00e9ditas em s\u00edtios arqueol\u00f3gicos de Olho D&#8217;\u00c1gua do Casado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">A 16 km do centro do munic\u00edpio de Olho D&#8217;\u00c1gua do Casado, a vegeta\u00e7\u00e3o da caatinga esconde um patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e cultural conhecido, na linguagem popular dos sertanejos mais velhos, como \u201cletreiro de caboclo brabo\u201d \u2013 s\u00e3o as pinturas rupestres. Nesta ter\u00e7a-feira (29), a FPI do S\u00e3o Francisco descobriu desenhos pr\u00e9-hist\u00f3ricos in\u00e9ditos em s\u00edtios arqueol\u00f3gicos localizados no territ\u00f3rio do assentamento Nova Esperan\u00e7a, na regi\u00e3o do Purdinho, zona rural da cidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">As imagens rec\u00e9m-descobertas em tr\u00eas pontos sugerem figuras antropom\u00f3rficas (homem) e zoom\u00f3rficas (animais), al\u00e9m de formatos geom\u00e9tricos, sempre em fendas de forma\u00e7\u00f5es rochosas do tipo arenito. Ao lado delas, pequenas cava\u00e7\u00f5es no ch\u00e3o, como se fossem pil\u00f5es para amassar sementes, inclusive de ocre, que, junto ao \u00f3xido de ferro e gordura animal, serviam de tinta para as pinturas rupestres. Ranhuras na parede das fendas tamb\u00e9m formavam os desenhos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Segundo a arque\u00f3loga Rute Barbosa, do Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan), h\u00e1 imagens presentes em s\u00edtios arqueol\u00f3gicos de todo mundo, como \u00e9 o caso dos c\u00edrculos conc\u00eantricos ou espirais. \u201cNo entanto, h\u00e1 algumas que s\u00e3o mais comuns de encontrar na Regi\u00e3o do Baixo S\u00e3o Francisco, a exemplo das pinturas relacionadas a aves\u201d, explica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Encontram-se nas paredes imagens de tra\u00e7os mais finos ou mais grossos, indicando a presen\u00e7a de v\u00e1rios grupos na localidade. A FPI do S\u00e3o Francisco solicitar\u00e1 ao Iphan que registre os tr\u00eas novos focos de pinturas rupestres logo ap\u00f3s o t\u00e9rmino da opera\u00e7\u00e3o para, assim, dar in\u00edcio \u00e0s a\u00e7\u00f5es de preserva\u00e7\u00e3o e convers\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cEm virtude do desplacamento do arenito, podemos ter perdido muitas pinturas ao longo do tempo. Se fizermos escava\u00e7\u00f5es no local, \u00e9 poss\u00edvel que encontremos peda\u00e7os de rochas com gravuras e at\u00e9 o material usado na sua confec\u00e7\u00e3o\u201d, explica a arque\u00f3loga do Iphan, segundo quem a ocupa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o do Baixo S\u00e3o Francisco data de 10.000 A.C.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Estiveram presentes na visita aos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos representantes do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (IBAMA), Batalh\u00e3o de Pol\u00edcia Ambiental de Alagoas, Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai) e Iphan. Todos integram a equipe de Patrim\u00f4nio Cultural e Comunidades Tradicionais nessa edi\u00e7\u00e3o da FPI do S\u00e3o Francisco.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Queimada amea\u00e7am desenhos<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Al\u00e9m da deteriora\u00e7\u00e3o decorrente de a\u00e7\u00f5es naturais como o vento e a chuva, as pinturas rupestres de Olho D&#8217;\u00c1gua do Casado convivem com a ame\u00e7a da degrada\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio homem ao patrim\u00f4nio, a exemplo das picha\u00e7\u00f5es. Num quarto foco visitado pela Fiscaliza\u00e7\u00e3o, este j\u00e1 tombado pelo Iphan, algu\u00e9m desenhou a palavra \u201cErica\u201d na mesma forma\u00e7\u00e3o rochosa das gravuras.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">A Constitui\u00e7\u00e3o Federal e Lei n. 3.924\/61 protegem os s\u00edtios arqueol\u00f3gicos no pa\u00eds. A destrui\u00e7\u00e3o ou retirada de qualquer material ou remo\u00e7\u00e3o de terra do local constitui crime sujeito a pena de multa e deten\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Mas degrada\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ocorre a partir das queimadas, que, por meio da fuligem, pode encobrir e at\u00e9 apagar os desenhos. A FPI do S\u00e3o Francisco encontrou v\u00e1rios locais com vegeta\u00e7\u00e3o queimada durante o percurso de hoje no s\u00edtio arqueol\u00f3gico em busca das gravuras. Um dos resqu\u00edcios de fogo que mais chamou a aten\u00e7\u00e3o ficava em frente a um pared\u00e3o de imagens j\u00e1 registradas pelo Iphan.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">De acordo com a fiscaliza\u00e7\u00e3o, a queimada teria como finalidade objetivo facilitar a alimenta\u00e7\u00e3o do gado, mas tamb\u00e9m justificar a extra\u00e7\u00e3o vegetal no local, j\u00e1 que as \u00e1rvores estariam mortas. \u201cTanto a queimada de mata nativa quanto a extra\u00e7\u00e3o vegetal ilegal s\u00e3o crimes pass\u00edveis de pena\u201d, afirma o t\u00e9cnico do IBAMA, Felippe Dias.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">A regi\u00e3o de Purdinha tamb\u00e9m \u00e9 rica em vegeta\u00e7\u00e3o, que conta com v\u00e1rias esp\u00e9cimes barrigudas, iburanas, urtigas, jatob\u00e1s, xique-xiques, mandacarus, flores manu\u00eas, angicos e at\u00e9 mesmo de brom\u00e9lias.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Preven\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Para o Iphan, a melhor forma de preservar o patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e cultural dos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos \u00e9 contar com o apoio da comunidade. Segundo a representante do instituto, ser\u00e1 desenvolvido um projeto que garanta n\u00e3o s\u00f3 a preserva\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o das pinturas rupestres, como tamb\u00e9m educa\u00e7\u00e3o patrimonial para os moradores do assentamento Nova Esperan\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cA comunidade deve abra\u00e7ar a hist\u00f3ria do local, porque n\u00e3o existe patrim\u00f4nio dessa natureza sem pessoas. Queremos retomar com o projeto de educa\u00e7\u00e3o ambiental no assentamento para que os assentados preservem o s\u00edtio arqueol\u00f3gico e, ao mesmo tempo, gere renda em benef\u00edcio da pr\u00f3pria comunidade\u201d, disse a arque\u00f3loga Rute Barbosa<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Em 2008, o Iphan desenvolveu um trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o com os sertanejos simultaneamente a a\u00e7\u00f5es de mapeamento e conserva\u00e7\u00e3o de s\u00edtios arqueol\u00f3gicos, visto que muitos s\u00e3o danificados por fungos, l\u00edquens e at\u00e9 casas de insetos, como abelhas e maribondos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">O Instituto tem mais de 300 s\u00edtios arqueol\u00f3gicos registrados na Regi\u00e3o do Baixo S\u00e3o Francisco, que abrange munic\u00edpios como Olho D\u00b4\u00c1gua do Casado, Delmiro Gouveia, Piranhas e P\u00e3o de A\u00e7\u00facar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>\u00cdndios n\u00e3o reivindicam pinturas<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Questionado a respeito da autoria das pinturas rupestres, o antrop\u00f3logo do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal em Alagoas, Ivan Soares Farias disse que os \u00edndios nunca reivindicaram os desenhos. De acordo com ele, os \u00edndios brasileiros s\u00e3o \u00e1grafos, ou seja, apesar de terem linguagem, n\u00e3o fazem uso da escrita.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">&#8220;Sabemos que a arte rupestre \u00e9 do per\u00edodo pr\u00e9-hist\u00f3rico. E embora o homem pr\u00e9-hist\u00f3rico possa ter dado origem aos grupos ind\u00edgenas da regi\u00e3o, interessante saber que em nenhum momento os atuais grupos ind\u00edgenas reivindicam para si ou como seu, as artes rupestres. O que nos serve tamb\u00e9m de prova que os \u00edndios atuais que conhecemos, apesar de toda a transforma\u00e7\u00e3o que tem passado ao longo de mais de 500 anos, s\u00e3o grupos humanos muito al\u00e9m dos grupos pr\u00e9-hist\u00f3rico que datam de mais 10 mil anos\u201d, explica o antrop\u00f3logo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Segundo o coordenador da equipe de Patrim\u00f4nio Cultural e Comunidades Tradicionais, em todas pesquisas de campos que fez para demarca\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios reservados, as comunidades tradicionais ind\u00edgenas nunca mencionaram as pinturas rupestres como se fosse algo dos seus antepassados. \u201cOs \u00edndios costumam ser muitos verdadeiros nos seus relatos, certamente reivindicariam a autoria se de fato tivessem algo a ver com os desenhos\u201d, completa Ivan Soares.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6491,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-6490","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-not_fpi"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6490","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6490"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6490\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6492,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6490\/revisions\/6492"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6491"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6490"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6490"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6490"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}