{"id":28884,"date":"2023-07-25T08:42:10","date_gmt":"2023-07-25T11:42:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/?p=28884"},"modified":"2023-08-25T08:30:58","modified_gmt":"2023-08-25T11:30:58","slug":"dia-da-mulher-negra-latino-americana-e-caribenha-marca-a-luta-por-direitos-e-representatividade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/?p=28884","title":{"rendered":"Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha marca a luta por direitos e representatividade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Nesta ter\u00e7a-feira, 25 de julho, \u00e9 celebrado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. A data faz alus\u00e3o a evento realizado em 1992 na Rep\u00fablica Dominicana para tratar sobre a promo\u00e7\u00e3o de direitos dessa parcela da popula\u00e7\u00e3o. O Dia da Mulher Negra busca n\u00e3o apenas celebrar as conquistas j\u00e1 alcan\u00e7adas, como tamb\u00e9m lembrar que a luta contra o sexismo e o racismo continua.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cAs diferen\u00e7as ainda s\u00e3o enormes, principalmente para a mulher preta perif\u00e9rica, que tem que trabalhar com tr\u00eas l\u00f3gicas: ser mulher, ser preta e ser perif\u00e9rica. \u00c9 preciso ter uma vis\u00e3o pol\u00edtica dessa situa\u00e7\u00e3o, desenvolver o letramento racial para perceber essa l\u00f3gica colonialista que nos leva a pensar que n\u00e3o temos plano de voo\u201d, defende a coordenadora do Instituto Ra\u00edzes de \u00c1frica, Ar\u00edsia Barros.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">De acordo com Salete Bernardo, presidente do Conselho Estadual de Promo\u00e7\u00e3o \u00e0 Igualdade Racial (Conepir), o Dia da Mulher Negra vem para mostrar o quanto Estado e sociedade t\u00eam negado durante s\u00e9culos os direitos b\u00e1sicos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra, com destaque para as mulheres. Entre esses direitos, a presidente do Conselho destaca o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e a postos de trabalho qualificados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cMesmo ap\u00f3s aboli\u00e7\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o negra n\u00e3o foi amparada pelo Estado ap\u00f3s os mais de 300 anos de explora\u00e7\u00e3o. A grande maioria continuou sem saber ler, teve que morar nas periferias, trabalhar em subempregos. As mulheres negras, que cuidavam dos filhos dos brancos, continuaram presas aos trabalhos dom\u00e9sticos. Por isso, o Dia da Mulher Negra \u00e9 t\u00e3o importante, para mostrar \u00e0 sociedade o quanto a situa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 desigual\u201d, alerta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><b>Desigualdade<\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">O Brasil \u00e9 um pa\u00eds perigoso para mulheres negras. Segundo o portal Atlas da Viol\u00eancia, 2.468 mulheres negras foram assassinadas em 2019, o que representa 66% dos homic\u00eddios de mulheres. O Nordeste \u00e9 a regi\u00e3o mais violenta do pa\u00eds, concentrando 1.119 dos assassinatos de mulheres negras, seguido do Sudeste, que registrou pouco menos da metade (560 mortes). Os estados com maiores \u00edndices de homic\u00eddio s\u00e3o Bahia (358), Minas Gerais (207) e Par\u00e1 (204).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cA gente percebe o aumento desses \u00edndices em nosso estado. Todos os dias, acordamos com not\u00edcias de feminic\u00eddio de mulheres negras. Nesta segunda, v\u00e9spera do Dia da Mulher Negra, acordamos com mais uma not\u00edcia. Isso mostra a vulnerabilidade a que n\u00f3s, mulheres negras, estamos expostas, como tamb\u00e9m a omiss\u00e3o do Estado em rela\u00e7\u00e3o a isso\u201d, comentou a presidente do Conepir.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Essa desigualdade tamb\u00e9m se reflete no mercado de trabalho. De acordo com relat\u00f3rio do Dieese, no 2\u00ba trimestre de 2022, a taxa de mulheres negras desempregadas foi 13,9%, maior que a m\u00e9dia nacional (9,3%). Quando se fala em trabalho formal, quase metade das mulheres negras (47,3%) estavam trabalhando sem carteira assinada ou por conta pr\u00f3pria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">O servi\u00e7o dom\u00e9stico ainda \u00e9 exercido, em sua maioria, por trabalhadoras negras, com 16,4% delas se dedicando a esse tipo de atividade, \u00edndice bem maior que o observado junto \u00e0s mulheres brancas (8,8%). \u201cAs mulheres negras continuaram presas aos trabalhos dom\u00e9sticos, seja cuidando da sua pr\u00f3pria casa ou da casa de outras pessoas, ou seja, a mulher de cor continua sofrendo com as desigualdades raciais e de g\u00eanero\u201d, refor\u00e7a Salete Bernardo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><b>Luta<\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Esses dados evidenciam as diferen\u00e7as sociais que separam as mulheres negras de todo o restante do pa\u00eds. Ar\u00edsia Barros acredita que, para mudar a situa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o necess\u00e1rias pol\u00edticas p\u00fablicas que permitam o efetivo exerc\u00edcio da cidadania, garantindo, dessa forma, a equidade. Mas, esse \u00e9 um trabalho a ser feito a longo prazo, destaca ela.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cA gente percebe a subalternidade da mulher preta, que ainda vive nas senzalas contempor\u00e2neas. \u00c9 preciso criar espa\u00e7o de visibilidade, pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas para trabalhar a equidade. \u00c9 necess\u00e1rio trabalhar as diferen\u00e7as atrav\u00e9s de pol\u00edticas diferenciadas para trazer para a cima quem est\u00e1 embaixo. A partir do momento que todos estiverem no mesmo patamar, a gente fala em equidade\u201d, afirma a coordenadora do Instituto Ra\u00edzes de \u00c1frica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Salete Bernardo tamb\u00e9m defende a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 mulher negra, principalmente para impulsionar o empreendedorismo. \u201cTemos, por exemplo, iniciativas por parte do poder p\u00fablico, iniciativa privada e terceiro setor que v\u00eam no sentido de apoiar mulheres negras empreendedoras. Estamos conseguindo vencer. Claro que tem muito ainda a ser conquistado, mas estamos no caminho do empoderamento\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Outro ponto levantado pela presidente do Conepir \u00e9 a busca por representatividade. Nos \u00faltimos anos, mais mulheres negras passaram a reconhecer a import\u00e2ncia de se apropriar das suas pr\u00f3prias identidades, aponta Salete. \u201cDe uns anos para c\u00e1, muitas mulheres passaram a assumir os seus cabelos crespos. O mundo da moda tamb\u00e9m est\u00e1 mais diverso, com grandes marcas apoiando a cultura afro. Ent\u00e3o, percebemos que o cen\u00e1rio vem melhorando, fruto dessa nossa luta\u201d, comenta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><b>Viol\u00eancia<\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Al\u00e9m de marcar a busca por direitos sociais, o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha tamb\u00e9m representa a luta contra o racismo. Em Alagoas, a popula\u00e7\u00e3o conta com o apoio de diversos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos que trabalham na repress\u00e3o e no combate a esse tipo de crime, a exemplo do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual, com destaque para a atua\u00e7\u00e3o da 59\u00aa e a 60\u00aa Promotorias de Justi\u00e7a da Capital.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cEvolu\u00edmos muito na efici\u00eancia do trabalho e, nos \u00faltimos anos, conseguimos a especializa\u00e7\u00e3o da Promotoria de Justi\u00e7a, com a especializa\u00e7\u00e3o da secretaria no Judici\u00e1rio e, bem assim, a conquista de uma delegacia especializada: a Delegacia Especial dos Crimes contra Vulner\u00e1veis Yalorix\u00e1 Tia Marcelina. O sistema de prote\u00e7\u00e3o criminal, portanto, presencia uma evolu\u00e7\u00e3o importante, que j\u00e1 \u00e9 sentida do cotidiano de nossos trabalhos&#8221;, relata o promotor de Justi\u00e7a Lucas Sachsida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">O combate ao racismo n\u00e3o \u00e9 uma luta f\u00e1cil, principalmente por conta do passado escravista do Brasil, pondera a promotora de Justi\u00e7a Dalva Ten\u00f3rio. Ela acredita que, para al\u00e9m da puni\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso realizar um trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o para que a popula\u00e7\u00e3o conhe\u00e7a as leis e entenda que o racismo \u00e9 crime.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cNo nosso trabalho na Promotoria de Justi\u00e7a vemos pessoas que cometeram crime de racismo tentarem justificar suas falas. N\u00e3o \u00e9 um crime f\u00e1cil de combater, pois esse tipo de pr\u00e1tica, infelizmente, est\u00e1 arraigado na coletividade. Durante centenas de anos, as pessoas reproduziram comportamentos racistas sem serem punidas. \u00c9 importante que todos, enquanto sociedade, se conscientizem e entendam que esse tipo de pr\u00e1tica n\u00e3o ser\u00e1 mais tolerada\u201d, finaliza.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><b>Hist\u00f3ria<\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">No dia 25 de julho, tamb\u00e9m se celebra o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, data criada com o objetivo de enaltecer o papel das mulheres negras que tanto contribu\u00edram para a hist\u00f3ria do pa\u00eds. Para quem n\u00e3o sabe, Tereza liderou o Quilombo do Piolho, no Mato Grosso, que resistiu \u00e0 escravid\u00e3o por duas d\u00e9cadas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Al\u00e9m dela, v\u00e1rias outras muitas mulheres negras participaram de modo efetivo na constru\u00e7\u00e3o do Brasil. Em Alagoas, temos Dandara, que foi l\u00edder feminina do Quilombo dos Palmares, s\u00edmbolo da resist\u00eancia e da luta contra a escravid\u00e3o no pa\u00eds. Conhe\u00e7a a hist\u00f3ria dessas e de outras mulheres negras not\u00e1veis: <span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Sociedade\/noticia\/2020\/08\/11-mulheres-negras-brasileiras-pioneiras-em-cultura-politica-e-ciencia.html\"><strong>clique aqui<\/strong><\/a><\/span>.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":30209,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-28884","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-not_mpal"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28884","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=28884"}],"version-history":[{"count":22,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28884\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28908,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28884\/revisions\/28908"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/30209"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=28884"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=28884"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=28884"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}