{"id":22681,"date":"2023-01-29T10:03:27","date_gmt":"2023-01-29T13:03:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/?p=22681"},"modified":"2023-01-29T10:54:36","modified_gmt":"2023-01-29T13:54:36","slug":"meaceitacomosou-mpal-promove-campanha-sobre-a-importancia-da-visibilidade-trans","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/?p=22681","title":{"rendered":"#MeAceitaComoSou: MPAL promove campanha sobre a import\u00e2ncia da visibilidade trans"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 10pt;\"><span style=\"color: #444444;\">\u201cAt\u00e9 hoje tenho uma bala alojada em meu corpo p<\/span><span style=\"color: #444444;\">orque o preconceito venceu a empatia. <\/span><span style=\"color: #444444;\">N\u00e3o d\u00e1 mais para tolerar, a <\/span><span style=\"color: #444444;\">g<\/span><span style=\"color: #444444;\">ente s\u00f3 quer respeito e ser feliz\u201d. <\/span><span style=\"color: #444444;\">Foi isso que <\/span><span style=\"color: #444444;\">Lari<\/span><span style=\"color: #444444;\">s<\/span><span style=\"color: #444444;\">sa Gabriela Ferreira Mendes, <\/span><span style=\"color: #444444;\">de 29 anos, disse ao comentar sobre a sua transexualidade. <\/span><span style=\"color: #444444;\">Em <\/span><span style=\"color: #444444;\">2013, <\/span><span style=\"color: #444444;\">um homem, ao perceber que Larissa se comportava como uma mulher, desferiu tr\u00eas tiros contra a v\u00edtima. Eles atingiram a m\u00e3o, a coxa e o gl\u00fateo da extensora de unhas. Muitas cirurgias depois e ap\u00f3s ter enfrentando um longo processo de depress\u00e3o e de isolamento social, a jovem resolveu se empoderar e lutar contra <\/span><span style=\"color: #444444;\">a discrimina\u00e7\u00e3<\/span><span style=\"color: #444444;\">o. <\/span><span style=\"color: #444444;\">E, <\/span><span style=\"color: #444444;\">a <\/span><span style=\"color: #444444;\">exemplo dela,<\/span> <span style=\"color: #444444;\">em todo o territ\u00f3rio nacional,<\/span> <span style=\"color: #444444;\">m<\/span><span style=\"color: #444444;\">ilhares<\/span><span style=\"color: #444444;\"> de pessoas trans <\/span><span style=\"color: #444444;\">tamb\u00e9m <\/span><span style=\"color: #444444;\">se manifestam <\/span><span style=\"color: #444444;\">e<\/span><span style=\"color: #444444;\">m desfavor des<\/span><span style=\"color: #444444;\">s<\/span><span style=\"color: #444444;\">e tipo de <\/span><span style=\"color: #444444;\">hostilidade e viol\u00eancia <\/span><span style=\"color: #444444;\">que coloca<\/span><span style=\"color: #444444;\">m <\/span><span style=\"color: #444444;\">o Brasil no ranking de pa\u00eds que mais mata transexuais e travestis no mundo. <\/span><span style=\"color: #444444;\">E para fazer o enfrentamento ao crime, o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de Alagoa<\/span><span style=\"color: #444444;\">s lan\u00e7a, neste domingo (29),<\/span><span style=\"color: #444444;\">\u00a0<\/span><span style=\"color: #444444;\">em alus\u00e3o \u00e0 Semana da Visibilidade Trans,<\/span> <span style=\"color: #444444;\">uma <\/span><span style=\"color: #444444;\">campanha nas redes sociais <\/span><span style=\"color: #444444;\">para<\/span> <span style=\"color: #444444;\">levar <\/span><span style=\"color: #444444;\">ao <\/span><span style=\"color: #444444;\">conhecimento p\u00fablico <\/span><span style=\"color: #444444;\">esse<\/span><span style=\"color: #444444;\"> universo <\/span><span style=\"color: #444444;\">e o trabalho desenvolvido pelas <\/span><span style=\"color: #444444;\">59\u00aa e 60<\/span><span style=\"color: #444444;\">\u00aa<\/span><span style=\"color: #444444;\"> Promotorias de Justi\u00e7a, <\/span><span style=\"color: #444444;\">\u00f3rg\u00e3os de execu\u00e7\u00e3o <\/span><span style=\"color: #444444;\">que atuam no enfrentamento \u00e0 transfobia. Confira <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/CoAA54YuDZ2\/?igshid=YmMyMTA2M2Y=\">aqui<\/a> o v\u00eddeo.\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 10pt;\">Ao contar sobre o seu processo de transi\u00e7\u00e3o, Larissa Gabriela Ferreira Mendes revelou que ele come\u00e7ou h\u00e1 nove meses. \u201cConsultei os m\u00e9dicos especialistas e comecei o tratamento da forma correta. Fa\u00e7o uso do horm\u00f4nio estrog\u00eanio para o desenvolvimento de tra\u00e7os femininos e redistribui\u00e7\u00e3o de gordura no corpo e o bloqueador de testosterona. Deixei o cabelo crescer e estou sempre vestida como mulher, porque \u00e9 assim que eu me sinto internamente. E, exatamente por eu falar e me comportar como uma pessoa do g\u00eanero feminino, o preconceito, infelizmente, ainda existe. A prova disso foi o atentado que sofri h\u00e1 10 anos. Precisei mudar toda a minha vida, tive que sair das redes sociais, trocar de n\u00famero de telefone e morar em outro endere\u00e7o. E sabe qual foi a puni\u00e7\u00e3o que o agressor sofreu? Nenhuma, o inqu\u00e9rito contra ele foi arquivado, o que me casou uma grande revolta\u201d, disse a estudante de Biomedicina. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 10pt;\">A intoler\u00e2ncia tamb\u00e9m faz parte do dia a dia de Natasha Wonderfull da Silva, de 52 anos.\u00a0\u201cAntigamente as pessoas batiam muito na gente. Bastava saberem que \u00e9ramos travestis, isso j\u00e1 era motivo para praticar a viol\u00eancia contra n\u00f3s, e sem falar no preconceito que sofr\u00edamos dentro de casa. Eu mesma, por exemplo, apanhei muito do meu pai porque ele n\u00e3o me aceitava. Com o tempo, fomos impondo respeito e exigindo que a\u00e7\u00f5es sociais fossem criadas para nos proteger e garantir direitos. A luta segue sendo gigantesca, por\u00e9m, reconhecemos que j\u00e1 houve avan\u00e7os, a exemplo do nome civil e da criminaliza\u00e7\u00e3o da LGBTIfobia\u201d, afirmou a t\u00e9cnica de enfermagem, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Cultural das Travestis de Alagoas (AccTrans) e membro da <span style=\"color: #000000;\">Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais <\/span><span style=\"color: #000000;\">(<\/span>Antra). <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: helvetica, arial, sans-serif;\">Benan Liel de Morais Silva, 30 anos, tamb\u00e9m est\u00e1 na fase de transi\u00e7\u00e3o. H\u00e1 pouco mais de uma semana, ele se submeteu a uma mastectomia masculinizadadora, cirurgia que faz a retirada das mamas. \u201cDentro da minha casa, eu encontrei apoio no meu pai e resist\u00eancia na minha m\u00e3e. N\u00e3o tem sido f\u00e1cil, mas, \u00e9 por meio do di\u00e1logo que eu tento fazer com que eles compreendam que eu, na minha ess\u00eancia, sou um homem. Quando crian\u00e7a, nunca gostei de vestido, de lacinhos no cabelo e nem de brincar de boneca. Fazer esse procedimento cir\u00fargico foi um sonho realizado porque eu usava faixa o tempo todo para comprimir os seios, o que me causava um desconforto terr\u00edvel. Ent\u00e3o, acho que, \u00e0 medida que o tempo passa, eles v\u00e3o me entendendo melhor. A mesma coisa acontece com as pessoas de fora, eu sei que tudo \u00e9 um processo\u201d, declarou o arquiteto. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: helvetica, arial, sans-serif;\"><b>Sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e mercado de trabalho <\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: helvetica, arial, sans-serif;\">Benan come\u00e7ou a transicionar em 2019 e, como tem uma doen\u00e7a \u00f3ssea que compromete a sua sa\u00fade, ele buscou o apoio m\u00e9dico necess\u00e1rio para n\u00e3o se fragilizar ainda mais. \u201cFa\u00e7o tratamento no Espa\u00e7o Trans do Hospital Universit\u00e1rio, onde tenho acompanhamento de um endocrinologista e da equipe multidisciplinar psicossocial\u201d, revelou ele. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: helvetica, arial, sans-serif;\">Por\u00e9m, as sa\u00fades p\u00fablica e privada ainda n\u00e3o s\u00e3o uma realidade para todas as pessoas trans e travestis. O Isaac Victor de Oliveira Santos, homem trans, de 19 anos, mas que n\u00e3o passou pela cirurgia de resigna\u00e7\u00e3o sexual (mudan\u00e7a de sexo), explicou que continua enfrentando uma s\u00e9rie de dificuldades quando precisa de atendimento. \u201cApesar do meu g\u00eanero ser masculino, o meu corpo \u00e9 de mulher, ent\u00e3o, quando vou fazer alguns exames, nem a equipe m\u00e9dica e nem o software dos consult\u00f3rios est\u00e3o preparados para lidar com isso. Tem gente que me pergunta: como vou submeter um homem a uma citologia? Como vou preencher a ficha de uma mulher, colocando o nome de um homem? Essas pessoas precisam ser capacitadas e, as empresas desenvolvedoras de sistema, t\u00eam que se atualizar e entender que o transexual tamb\u00e9m \u00e9 paciente igual a qualquer outro\u201d, cobrou. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: helvetica, arial, sans-serif;\">Sobre educa\u00e7\u00e3o e trabalho, Fab\u00edola Ferreira da Silva, mulher travesti de 51 anos, ressaltou que o sistema de ensino e o mercado precisam se preparar para receber os transexuais. \u201cAs escolas devem nos chamar pelo nome social e n\u00e3o mais pelo nome morto, t\u00eam que desenvolver atividades de conscientiza\u00e7\u00e3o com os alunos e nos tratar com o respeito que merecemos, permitindo que tenhamos os mesmos espa\u00e7os que os demais estudantes. E, para al\u00e9m disso, as pessoas trans e travestis precisam estudar porque, na maioria das vezes, esse \u00e9 o \u00fanico caminho para chegarmos a um patamar de vida mais confort\u00e1vel. J\u00e1 a respeito do mercado de trabalho, as empresas e \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos devem ter a compreens\u00e3o que somos iguais a quaisquer outros cidad\u00e3os e que ningu\u00e9m tem que sentir vergonha da gente. Muitas vezes, quando conseguimos um emprego, escondem-nos em trabalhos internos, n\u00e3o permitem que fiquemos no front, na porta de entrada, num cargo de protagonismo. Isso precisa mudar\u201d, pontuou ela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 10pt;\"><b>Transexual <\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 10pt;\"><span style=\"color: #333333;\">O t<\/span><span style=\"color: #333333;\">ransexual \u00e9<\/span><span style=\"color: #333333;\"> a<\/span><span style=\"color: #333333;\"> pessoa que <\/span><span style=\"color: #333333;\">n\u00e3o se identifica com o sexo biol\u00f3gico com o qual nasceu<\/span><span style=\"color: #333333;\">, ou seja, \u00e9 algu\u00e9m que n\u00e3o se sente <\/span><span style=\"color: #333333;\">ligado <\/span><span style=\"color: #333333;\">ao g\u00eanero que recebeu <\/span><span style=\"color: #333333;\">em seu <\/span><span style=\"color: #333333;\">nascimento. <\/span><span style=\"color: #333333;\">\u201cEm outras palavras, o transexual <\/span><span style=\"color: #333333;\">\u00e9 aquele indiv\u00edduo <\/span><span style=\"color: #333333;\">que n\u00e3o est\u00e1 confort\u00e1vel <\/span><span style=\"color: #333333;\">com esse <\/span><span style=\"color: #333333;\">seu<\/span> <span style=\"color: #333333;\">sexo biol\u00f3gico\u201d, <\/span><span style=\"color: #333333;\">afirmou <\/span><span style=\"color: #333333;\">Natasha Wonderfull da Silva,<\/span><span style=\"color: #333333;\"> de 52 anos. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 10pt;\"><span style=\"color: #333333;\">E<\/span><span style=\"color: #333333;\">la conta que, desde a inf\u00e2ncia, <\/span><span style=\"color: #333333;\">j\u00e1 se entendia como mulher. \u201c<\/span><span style=\"color: #333333;\">Foi um processo natural, fui crescendo e <\/span><span style=\"color: #333333;\">me identificando, cada vez mais, com o g\u00eanero feminino. <\/span><span style=\"color: #333333;\">E, desde adolescente, <\/span><span style=\"color: #333333;\">ainda l\u00e1 na d\u00e9cada de 80, <\/span><span style=\"color: #333333;\">eu j\u00e1 me comportava como <\/span><span style=\"color: #333333;\">mulher, <\/span><span style=\"color: #333333;\">e tem sido assim desde ent\u00e3o\u201d, <\/span><span style=\"color: #333333;\">contou. <\/span>Dentro da transsexualidade, h\u00e1 a mulher transg\u00eanero, que <span style=\"color: #333333;\">\u00e9 uma pessoa que nasceu com o sexo biol\u00f3gico masculino (como homem), mas se autoidentifica como uma mulher, <\/span><span style=\"color: #333333;\">o<\/span> homem transg\u00eanero, q<span style=\"color: #333333;\">ue nasceu biologicamente mulher, <\/span><span style=\"color: #333333;\">por\u00e9m <\/span><span style=\"color: #333333;\">se identifica e se sente um homem<\/span><span style=\"color: #333333;\">, e <\/span><span style=\"color: #333333;\">o<\/span> <span style=\"color: #333333;\">transg\u00eanero n\u00e3o bin\u00e1rio, que n\u00e3o <\/span><span style=\"color: #333333;\">possui identidade de g\u00eanero <\/span><span style=\"color: #333333;\">nem com homem e nem com mulher. <\/span><span style=\"color: #333333;\">I<\/span><span style=\"color: #333333;\">sso significa <\/span><span style=\"color: #333333;\">dizer<\/span><span style=\"color: #333333;\"> que a pessoa n\u00e3o bin\u00e1ria n\u00e3o se <\/span><span style=\"color: #333333;\">sente, obrigatoriamente, <\/span><span style=\"color: #333333;\">como homem ou mulher, podendo assumir um g\u00eanero neutro, <\/span><span style=\"color: #333333;\">ou seja, <\/span><span style=\"color: #333333;\">ela pode <\/span><span style=\"color: #333333;\">transitar entre os g\u00eaneros ou mesmo mescl\u00e1-los.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 10pt;\"><strong><span style=\"color: #333333;\">T<\/span><span style=\"color: #333333;\">ransfobia <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 10pt;\"><span style=\"color: #333333;\">S<\/span><span style=\"color: #333333;\">egundo a <\/span><span style=\"color: #4d5156;\">Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e transexuais <\/span><span style=\"color: #4d5156;\">(Antra)<\/span><span style=\"color: #4d5156;\">,<\/span> <span style=\"color: #333333;\">da qual Nat<\/span><span style=\"color: #333333;\">a<\/span><span style=\"color: #333333;\">sha faz parte, <\/span><span style=\"color: #333333;\">a<\/span>s pessoas que n\u00e3o conseguem se identificar como cisg\u00eanero ou heterossexual, ao longo da hist\u00f3ria, s\u00e3o alvos de \u201cviol\u00eancia simb\u00f3lica, psicol\u00f3gica, sexual, institucional e f\u00edsica, dentre outras, marcadas pelo cissexismo e heterosexismo, que s\u00e3o pr\u00e1ticas pol\u00edticas e sociais que subalternizam e hierarquizam pessoas\u201d. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 10pt;\">Para a Antra, a LGBTIfobia \u00e9 o termo utilizado para compreender as viol\u00eancias cometidas contra a popula\u00e7\u00e3o LGBTI+ e se apresenta como uma s\u00e9rie de atitudes ou sentimentos negativos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas LGBTI+, motivadas pela orienta\u00e7\u00e3o sexual e\/ou sua identidade de g\u00eanero. \u201cNormalmente \u00e9 motivada por desconhecimento, aliena\u00e7\u00e3o, valores morais baseados em argumentos do senso comum, com cunho religioso, pela invisibilidade, ignor\u00e2ncia e preconceito\u201d, diz um trecho da cartilha \u201cO que faz em caso de viol\u00eancia \u201cLGBTf\u00f3bica\u201d, produzida pela Associa\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333; font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 10pt;\"><b>O MPAL no combate \u00e0 transfobia <\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 10pt;\"><span style=\"color: #333333;\">O <\/span><span style=\"color: #333333;\">Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de Alagoas possui dois promotores de Justi\u00e7a, <\/span><span style=\"color: #333333;\">Lucas <\/span><span style=\"color: #000000;\">Saschsida e Dalva Ten\u00f3rio, das <\/span><span style=\"color: #000000;\">59\u00aa e 60\u00aa Promotorias de Justi\u00e7a,<\/span><span style=\"color: #000000;\"> que atuam no combate ao<\/span><span style=\"color: #000000;\">s c<\/span><span style=\"color: #000000;\">rimes <\/span><span style=\"color: #000000;\">c<\/span><span style=\"color: #000000;\">ontra <\/span><span style=\"color: #000000;\">p<\/span><span style=\"color: #000000;\">opula\u00e7\u00f5es <\/span><span style=\"color: #000000;\">v<\/span><span style=\"color: #000000;\">ulner\u00e1veis, <\/span><span style=\"color: #000000;\">o que incluiu os delitos LGBTIf\u00f3bico<\/span><span style=\"color: #000000;\">s. \u201c<\/span><span style=\"color: #000000;\">Esse tipo de crime est\u00e1 equiparado, por lei, ao d<\/span><span style=\"color: #000000;\">e racismo, <\/span><span style=\"color: #000000;\">e \u00e9 <\/span><span style=\"color: #000000;\">imprescrit\u00edvel <\/span><span style=\"color: #000000;\">e<\/span><span style=\"color: #000000;\"> inafian\u00e7\u00e1vel. <\/span><span style=\"color: #000000;\">Isso significa dizer que <\/span><span style=\"color: #000000;\">n\u00e3o existe um <\/span><span style=\"color: #000000;\">prazo <\/span><span style=\"color: #000000;\">determinado para que o<\/span><span style=\"color: #000000;\"> agressor se<\/span><span style=\"color: #000000;\">ja <\/span><span style=\"color: #000000;\">processado, <\/span><span style=\"color: #000000;\">podendo ocorrer a qualquer tempo. <\/span><span style=\"color: #000000;\">Portanto, basta que a v\u00edtima <\/span><span style=\"color: #000000;\">registre o boletim de ocorr\u00eancia na <\/span><span style=\"color: #000000;\">delegacia <\/span><span style=\"color: #000000;\">ou procure o <\/span><span style=\"color: #000000;\">Minist\u00e9rio P\u00fablico <\/span><span style=\"color: #000000;\">para formalizar a den\u00fancia. <\/span><span style=\"color: #000000;\">Em caso <\/span><span style=\"color: #000000;\">de ser o MPAL o \u00f3rg\u00e3o <\/span><span style=\"color: #000000;\">provocado<\/span><span style=\"color: #000000;\">, n\u00f3s instauramos um procedimento para apurar o fato e, em ele se comprovando, <\/span><span style=\"color: #000000;\">a gente aju\u00edza a a\u00e7\u00e3o penal, que buscar\u00e1 a respon<\/span><span style=\"color: #000000;\">sabilidade criminal do acusado\u201d, explicou <\/span><span style=\"color: #000000;\">Dalva Ten\u00f3rio, <\/span><span style=\"color: #000000;\">da <\/span><span style=\"color: #000000;\">60\u00aa <\/span><span style=\"color: #000000;\">PJ. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 10pt;\"><span style=\"color: #000000;\">E o Minist\u00e9rio P\u00fablico de Alagoas tem hist\u00f3rico na luta contra a transfobia. O promotor de Justi\u00e7a Lucas Saschsida <\/span><span style=\"color: #000000;\">lembrou que <\/span><span style=\"color: #000000;\">diversos casos j\u00e1 passaram <\/span><span style=\"color: #000000;\">pela sua p<\/span><span style=\"color: #000000;\">romotoria de Justi\u00e7a e <\/span><span style=\"color: #000000;\">garantiu que <\/span><span style=\"color: #000000;\">todos <\/span><span style=\"color: #000000;\">foram levados \u00e0<\/span> <span style=\"color: #000000;\">J<\/span><span style=\"color: #000000;\">usti<\/span><span style=\"color: #000000;\">\u00e7a<\/span><span style=\"color: #000000;\">. Segundo ele, \u201co g\u00eanero, a orienta\u00e7\u00e3o sexual, s\u00e3o formas, irrenunci\u00e1veis de express\u00e3o do direito da personalidade. Devem refletir f\u00edsica, moral, formal e psicologicamente a identidade da pessoa, que \u00e9, por assim ser, livre para desenvolv<\/span><span style=\"color: #000000;\">\u00ea<\/span><span style=\"color: #000000;\">-la conforme a express\u00e3o de seu ser. Em out<\/span><span style=\"color: #000000;\">ras palavras, <\/span><span style=\"color: #000000;\">a dignidade humana hoje nos imp\u00f5e reconhecer o indiv\u00edduo, tamb\u00e9m, como um fim em si mesmo (e n\u00e3o s\u00f3 um instrumento p\u00fablico\/social). \u00c9 a vis\u00e3o do indiv\u00edduo como detentor de um valor intr\u00ednseco pr\u00f3prio, \u00fanico. O Minist\u00e9rio P\u00fablico cumprir\u00e1, sempre, seu papel na de<\/span><span style=\"color: #000000;\">fe<\/span><span style=\"color: #000000;\">sa da iguald<\/span><span style=\"color: #000000;\">ade\u201d, <\/span><span style=\"color: #000000;\">assegurou. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 10pt;\"><span style=\"color: #000000;\">Quem tiver interesse em formalizar <\/span><span style=\"color: #000000;\">qualquer queixa por transfobia pode procurar <\/span><span style=\"color: #000000;\">a Pol\u00edcia Civil e\/ou <\/span><span style=\"color: #000000;\">Minist\u00e9rio P\u00fablico. <\/span><span style=\"color: #000000;\">No MPAL, o <\/span><span style=\"color: #000000;\">contato pode ser feito <\/span><span style=\"color: #000000;\">de forma presencial na Av. Juca Sampaio, n\u00b0 3362, Barro Duro <\/span><span style=\"color: #000000;\">(<\/span><span style=\"color: #000000;\">em Macei\u00f3<\/span><span style=\"color: #000000;\">)<\/span><span style=\"color: #000000;\">, ou, de maneira virtual, <\/span><span style=\"color: #000000;\">pelo e-mail <a href=\"mailto:ouvidoria@mpal.mp.br\">ouvidoria@mpal.mp.br<\/a> <\/span><span style=\"color: #000000;\">ou <\/span><span style=\"color: #000000;\">pelo site mpal.mp.br\/ouvidoria. <\/span><span style=\"color: #000000;\">Mais informa\u00e7\u00f5es podem ser obtidas <\/span><span style=\"color: #000000;\">por meio do telefone 82 2122-5227. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 10pt;\"><b>Brasil \u00e9 o pais que mata travestis e transexuais <\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 10pt;\"><span style=\"color: #211f1f;\">Dados da ONG <\/span><span style=\"color: #211f1f;\">Transgender Europe (TGEU) <\/span><span style=\"color: #211f1f;\">mostraram, num estudo divulgado ano passado, que o <\/span><span style=\"color: #000000;\">Brasil \u00e9 o pais que mata travestis e transexuais, <\/span><span style=\"color: #000000;\">p<\/span><span style=\"color: #000000;\">ermanecendo nesse p\u00f3dio <\/span><span style=\"color: #000000;\">d<\/span><span style=\"color: #000000;\">esastroso pelo 13\u00ba ano consecutivo. <\/span><span style=\"color: #000000;\">A pesquisa<\/span><span style=\"color: #000000;\"> apontou<\/span><span style=\"color: #000000;\"> que em <\/span><span style=\"color: #000000;\">2021, <\/span><span style=\"color: #000000;\">o pa\u00eds registrou ao meno<\/span><span style=\"color: #000000;\">s<\/span><span style=\"color: #000000;\"> 140 assassinatos de pessoas trans. <\/span><span style=\"color: #000000;\">Dentre elas, <\/span><span style=\"color: #000000;\">135 <\/span><span style=\"color: #000000;\">eram<\/span><span style=\"color: #000000;\"> travestis e mulheres transexuais, <\/span><span style=\"color: #000000;\">enquanto as<\/span><span style=\"color: #000000;\"> outras cinco eram <\/span><span style=\"color: #000000;\">homens trans e pessoas transmasculinas. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 10pt;\">O levantamento, que \u00e9 realizado desde 2008, concluiu tamb\u00e9m que o pa\u00eds tem registrado uma m\u00e9dia de homic\u00eddios de 123,8 assassinatos\/ano, levando-se em considera\u00e7\u00e3o os 13 \u00faltimos anos. Por\u00e9m, a\u00a0<span style=\"color: #000000;\">Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais<\/span>, que tamb\u00e9m monitora esses n\u00fameros, avalia que os dados s\u00e3o bem maiores, uma vez que, em muitos casos, no momento da investiga\u00e7\u00e3o policial, ignora-se a identidade de g\u00eanero da pessoa assassinada. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 10pt;\">Para a TGEU, os principais motivos que levam o pa\u00eds a liderar essa triste estat\u00edstica \u00e9 a falta de dados e\/ou subnotifica\u00e7\u00f5es governamentais, a aus\u00eancia de a\u00e7\u00f5es de enfrentamento da viol\u00eancia contra pessoas LGBTQIA+ e a queda na idade da pessoa trans. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 10pt;\">Pelos dados, S\u00e3o Paulo foi o estado que mais assassinou pessoas trans em 2021, tendo registrado 25 assassinatos. Em seguida, veio a Bahia, com 13 mortes. O Rio de Janeiro e o Cear\u00e1 ocuparam a 3\u00aa e 4\u00aa posi\u00e7\u00f5es, contabilizando 12 e 11 homic\u00eddios. Alagoas tamb\u00e9m aparece nas estat\u00edsticas, ao lado de Amap\u00e1, Para\u00edba, Piau\u00ed e o Distrito Federal, com 2 casos cada um. Os \u00fanicos estados onde n\u00e3o foram computadas v\u00edtimas fatais de transfobia s\u00e3o Roraima e Tocantins. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":22711,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-22681","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-not_mpal"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22681","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22681"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22681\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22714,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22681\/revisions\/22714"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/22711"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22681"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22681"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22681"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}