{"id":15923,"date":"2017-07-20T10:40:17","date_gmt":"2017-07-20T13:40:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/?p=15923"},"modified":"2022-08-16T10:41:00","modified_gmt":"2022-08-16T13:41:00","slug":"ministerio-publico-consegue-evitar-que-terrenos-doados-a-populacao-carente-sejam-retomados-pela-prefeitura-de-cha-preta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/?p=15923","title":{"rendered":"Minist\u00e9rio P\u00fablico consegue evitar que terrenos doados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o carente sejam retomados pela Prefeitura de Ch\u00e3 Preta"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Acatando pedido formulado em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de Alagoas (MPE\/AL), o Poder Judici\u00e1rio impediu que a Prefeitura de Ch\u00e3 da Preta voltasse atr\u00e1s na entrega de terrenos que foram doados a moradores de baixa renda. A doa\u00e7\u00e3o ocorreu ano passado e, a nova gest\u00e3o, por meio de um decreto, queria desfazer a entrega das terras. Para o Minist\u00e9rio P\u00fablico, a atual prefeita da cidade, Rita Coimbra Cerqueira Ten\u00f3rio, estaria agindo \u2018politicamente\u2019 e tal interesse privado n\u00e3o poderia se sobrep\u00f4r ao interesse p\u00fablico de beneficiar pessoas que nunca tiveram resid\u00eancia pr\u00f3pria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">A a\u00e7\u00e3o foi ajuizada pela Promotoria de Justi\u00e7a de Vi\u00e7osa, que tem atribui\u00e7\u00e3o para atuar em Ch\u00e3 Preta, e pelo N\u00facleo de Defesa do Patrim\u00f4nio P\u00fablico. Na peti\u00e7\u00e3o, os promotores Anderson Cl\u00e1udio de Almeida Barbosa, Jos\u00e9 Carlos Castro e Napole\u00e3o Amaral Franco alegaram que o Decreto n\u00ba 01\/2016, que autorizou a doa\u00e7\u00e3o de 11,7166 ha (onze hectares, setenta e um ares e sessenta e seis centiares) da Fazenda Ch\u00e3 Preta para pessoas carentes, continua com poder legal e conseguiu beneficiar v\u00e1rias fam\u00edlias daquele munic\u00edpio. Inclusive, a grande maioria delas j\u00e1 havia providenciado registro e escritura em cart\u00f3rio das \u00e1reas doadas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">O Minist\u00e9rio P\u00fablico tamb\u00e9m argumentou que os terrenos foram doados com a finalidade de constru\u00e7\u00e3o de casas populares para minorar o d\u00e9ficit habitacional da cidade e que essas resid\u00eancias j\u00e1 estavam sendo edificadas no Conjunto Residencial Manoel Ten\u00f3rio Cavalcante.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cOs moradores, com muito sacrif\u00edcio, come\u00e7aram a construir a t\u00e3o sonhada casa pr\u00f3pria. E, de repente, viram o sonho se transformar em realidade. Ap\u00f3s editar novo decreto, desfazendo a doa\u00e7\u00e3o dos terrenos, a atual prefeita come\u00e7ou a derrubar o que j\u00e1 havia sido constru\u00eddo, num total desrespeito com aquelas pessoas. Foi quando elas procuraram a Promotoria de Ch\u00e3 Preta para denunciar o que estava acontecendo. De in\u00edcio, n\u00f3s procuramos a gest\u00e3o, pedimos explica\u00e7\u00f5es sobre o fato e fomos informados que parte da \u00e1rea era verde e, a outra, destinada \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de equipamentos p\u00fablicos. Ent\u00e3o, consultamos outros \u00f3rg\u00e3os e descobrimos que o terreno n\u00e3o estava, de forma alguma, em \u00e1rea que precisava ser preservada. Pelo contr\u00e1rio, foi, sim, respeitado o limite de \u00e1rea verde exigido pela Lei de Registros P\u00fablicos\u201d, explicou o promotor Anderson Cl\u00e1udio de Almeida Barbosa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cAssim, salta aos olhos que as a\u00e7\u00f5es do Munic\u00edpio no caso em deslinde t\u00eam car\u00e1ter de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica contra donat\u00e1rios que n\u00e3o s\u00e3o seguidores da chefe do Executivo, havendo desvio de finalidade do ato administrativo, Decreto n\u00ba 05\/2017 do Munic\u00edpio de Ch\u00e3 Preta\u201d, diz um trecho da a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>A decis\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Em sua decis\u00e3o, prolatada no \u00faltimo dia 17, a ju\u00edza Joyce Ara\u00fajo dos Santos, da comarca de Vi\u00e7osa, concedeu liminar atendendo ao pedido feito pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico. A magistrada alegou n\u00e3o haver ilegalidade no repasse do terreno e que o ato de doa\u00e7\u00e3o foi \u201clegitimado pela Lei n\u00ba 466\/2009, que disciplina a doa\u00e7\u00e3o de terrenos para pessoas carentes\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cAssim, em cogni\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria, n\u00e3o vislumbro a ilegalidade ventilada no Decreto n\u00ba 05\/2017, capaz de acarretar a nulidade das doa\u00e7\u00f5es formalizadas com fulcro no Decreto n\u00ba 01\/2016 da mesma entidade. E mesmo assim fosse, n\u00e3o poderia a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, sob o pretexto de poder de pol\u00edcia, promover a destrui\u00e7\u00e3o dos im\u00f3veis constru\u00eddos nas referidas \u00e1reas escrituradas em nome dos administrados, sendo evidente a hip\u00f3tese de abuso de poder e de desproporcionalidade da medida\u201d, afirmou a ju\u00edza Joyce Ara\u00fajo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">O Poder Judici\u00e1rio tamb\u00e9m estipulou multa no valor de R$ 2 mil em caso de descumprimento da decis\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Texto de Dulce Melo e Janaina Ribeiro.<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":15924,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-15923","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-not_mpal"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15923","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=15923"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15923\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15925,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15923\/revisions\/15925"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/15924"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=15923"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=15923"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=15923"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}