{"id":15769,"date":"2018-05-08T10:45:16","date_gmt":"2018-05-08T13:45:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/?p=15769"},"modified":"2022-08-15T10:51:56","modified_gmt":"2022-08-15T13:51:56","slug":"apos-recurso-interposto-pelo-ministerio-publico-desembargador-muda-voto-e-pode-alterar-resultado-de-julgamento-contra-joao-beltrao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/?p=15769","title":{"rendered":"Ap\u00f3s recurso interposto pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, desembargador muda voto e pode alterar resultado de julgamento contra Jo\u00e3o Beltr\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Um embargo de declara\u00e7\u00e3o interposto pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual de Alagoas (MPE\/AL) conseguiu, na sess\u00e3o plen\u00e1ria do Tribunal de Justi\u00e7a desta ter\u00e7a-feira (8), mudar o entendimento de um desembargador, que refez seu voto, manifestando-se pela condena\u00e7\u00e3o do deputado estadual Jo\u00e3o Beltr\u00e3o, acusado pelo procurador-geral de justi\u00e7a, Alfredo Gaspar de Mendon\u00e7a Neto, de envolvimento na morte do cabo Jos\u00e9 Gon\u00e7alves da Silva Filho. Tal mudan\u00e7a no posicionamento do magistrado F\u00e1bio Bittencourt pode abrir caminho para altera\u00e7\u00e3o na decis\u00e3o que inocentou o parlamentar do crime.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">No recurso interposto em outubro de 2017, o Minist\u00e9rio P\u00fablico alegou que, apesar de ter julgado a a\u00e7\u00e3o, o Tribunal de Justi\u00e7a desconsiderou \u201cprovas importantes juntadas aos autos\u201d e que, por isso, o ac\u00f3rd\u00e3o que trouxe a decis\u00e3o de absolvi\u00e7\u00e3o continha omiss\u00f5es e contradi\u00e7\u00f5es. \u201cObserve-se, inicialmente, que, a decis\u00e3o ora atacada se omitiu quanto a duas importantes provas levantadas pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico: a primeira, o depoimento de Garibalde Santos de Amorim (fls. 200\/202) e, o depoimento da v\u00edtima Jos\u00e9 Gon\u00e7alves da Silva Filho, tomado antes de sua execu\u00e7\u00e3o (fls. 203\/210). Conquanto o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido tenha feito breve men\u00e7\u00e3o, em relat\u00f3rio, quanto \u00e0 exist\u00eancia de tais depoimentos, n\u00e3o os considerou em sua fundamenta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o levando em conta os elementos de convic\u00e7\u00e3o contidos no depoimento de testemunha inquirida a t\u00edtulo de prova antecipada, nem mesmo o depoimento da pr\u00f3pria v\u00edtima, ouvida cerca de dois anos antes de ser morta\u201d, argumentou o chefe do MPE\/AL.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">No documento, Alfredo Gaspar tamb\u00e9m explicou que Garibalde Santos de Amorim, que, \u00e0 \u00e9poca, era motorista e seguran\u00e7a de Manoel Francisco Cavalcante \u2013 militar acusado de comandar a \u2018gangue fardada\u2019, confessou ter ouvido conversas sobre a morte do cabo Gon\u00e7alves. \u201cMarcos Cavalcante, o Jeov\u00e2nio e o pr\u00f3prio Cavalcante comentaram com o depoente que passaram dois dias fazendo farra no Pontal, comemorando a morte do cabo Gon\u00e7alves e que, ap\u00f3s o assassinato do cabo Gon\u00e7alves, ouviu coment\u00e1rios de policiais dizendo quem participou daquele assassinato e que sabe que o problema entre o cabo Gon\u00e7alves e as pessoas do Cavalcante e Jo\u00e3o Beltr\u00e3o come\u00e7ou porque o Cavalcante e Jo\u00e3o Beltr\u00e3o mandaram cabo Gon\u00e7alves matar uma determinada pessoa, que ele n\u00e3o lembra quem, e ele n\u00e3o aceitou, da\u00ed surgiu o incidente\u201d, diz um trecho do embargo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>A contradi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Para o Minist\u00e9rio P\u00fablico, o ac\u00f3rd\u00e3o tamb\u00e9m foi contradit\u00f3rio, uma vez que, ora ele disse que o MPE\/AL se valeu \u201cunicamente de ind\u00edcios exclusivamente policiais e sem prova judicial\u201d, ora reconheceu, em diversos momentos, que a \u201cacusa\u00e7\u00e3o \u00e9 embasada, dentre outros, por prova antecipada\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201c\u2026n\u00e3o obstante o esfor\u00e7o do eminente \u00d3rg\u00e3o Ministerial, em cujas alega\u00e7\u00f5es finais se utiliza de ind\u00edcios exclusivamente policiais, conven\u00e7o-me de que n\u00e3o restou comprovado o envolvimento do r\u00e9u no crime em foco\u201d, foi o que disse o relator em sua decis\u00e3o. Por\u00e9m, num outro par\u00e1grafo, ele falou que \u201co juiz formar\u00e1 sua convic\u00e7\u00e3o pela livre aprecia\u00e7\u00e3o da prova produzida em contradit\u00f3rio judicial, n\u00e3o podendo fundamentar sua decis\u00e3o exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investiga\u00e7\u00e3o, ressalvadas as provas cautelares, n\u00e3o repet\u00edveis e antecipadas\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cNesse sentido, h\u00e1 evidente contradi\u00e7\u00e3o ao se afirmar, ao mesmo tempo, a exist\u00eancia de prova antecipada e a inexist\u00eancia de provas pr\u00e9-processuais aptas a justificar a condena\u00e7\u00e3o\u201d, alegou o procurador-geral de justi\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cEm face do exposto, requer o Minist\u00e9rio P\u00fablico de Alagoas que seja conhecido e provido o presente recurso de embargos, atribuindo-lhe efeitos infringentes de modo a reformar o ac\u00f3rd\u00e3o de fls. 3.058 a 3.110, suprindo, assim, as omiss\u00f5es e as contradi\u00e7\u00f5es existentes, reconhecendo todos os fundamentados para a condena\u00e7\u00e3o do r\u00e9u nos termos da den\u00fancia\u201d, requereu o Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Condena\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Quando o embargo de declara\u00e7\u00e3o do MPE\/AL chegou ao Tribunal de Justi\u00e7a, o desembargador F\u00e1bio Bittencourt pediu vistas do processo. E, ap\u00f3s nova an\u00e1lise dos autos, o magistrado reformulou seu entendimento sobre o caso. O voto-vista, considerado \u2018bem elaborado\u2019 por Alfredo Gaspar, foi pela condena\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Beltr\u00e3o a 19 anos de pris\u00e3o em regime fechado, com cumprimento da pena j\u00e1 de imediato.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Ap\u00f3s a leitura do voto de F\u00e1bio Bittencourt, o recurso novamente sofreu pedido de vistas. Dessa vez, feito pelo desembargador Paulo Lima.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">O Minist\u00e9rio P\u00fablico acredita que a mudan\u00e7a no voto do desembargador F\u00e1bio Bittencourt abre diverg\u00eancia a respeito da absolvi\u00e7\u00e3o ocorrida no dia 17 de outubro do ano passado, o que, ao final do julgamento do embargo de declara\u00e7\u00e3o, pode alterar a senten\u00e7a prolatada sobre o caso.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":9793,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-15769","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-not_mpal"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15769","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=15769"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15769\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15771,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15769\/revisions\/15771"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9793"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=15769"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=15769"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=15769"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}