{"id":12362,"date":"2016-11-18T10:07:53","date_gmt":"2016-11-18T12:07:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/?p=12362"},"modified":"2022-07-14T10:10:31","modified_gmt":"2022-07-14T13:10:31","slug":"promotoria-de-justica-indica-inconstitucionalidade-em-lei-que-proibe-o-uber-em-maceio-pgj-analisa-proposicao-de-adi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/?p=12362","title":{"rendered":"Promotoria de Justi\u00e7a indica inconstitucionalidade em lei que pro\u00edbe o Uber em Macei\u00f3; PGJ analisa proposi\u00e7\u00e3o de ADI"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">A 16\u00aa Promotoria de Justi\u00e7a da Capital (Fazenda P\u00fablica Municipal) solicitou, nesta sexta-feira (18), que o procurador-geral de Justi\u00e7a, S\u00e9rgio Juc\u00e1, ingresse com uma a\u00e7\u00e3o direta de inconstitucionalidade (ADI) junto ao Tribunal de Justi\u00e7a do Estado de Alagoas contra a Lei Ordin\u00e1ria Municipal n\u00ba 6.552\/2016. A legisla\u00e7\u00e3o disp\u00f5e sobre a proibi\u00e7\u00e3o do uso de carros particulares cadastrados atrav\u00e9s de aplicativos para transporte remunerado individual de pessoas no munic\u00edpio de Macei\u00f3.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Segundo o promotor de Justi\u00e7a Marcus R\u00f4mulo Maia, a lei municipal ofende dispositivos da Constitui\u00e7\u00e3o do Estado de Alagoas, em especial os artigos 2\u00ba, inciso X; 10, caput; 29, inciso VI; e 234, na medida em que atenta contra o livre exerc\u00edcio de atividade econ\u00f4mica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cA quem \u00e9 endere\u00e7ada esta lei e a quem ela beneficia? Contrariando o senso comum do car\u00e1ter abstrato das normas, a lei em quest\u00e3o tem destinat\u00e1rio certo. Trata-se de uma rea\u00e7\u00e3o legislativa ao lan\u00e7amento no mercado de um aplicativo para smartphones e tablets, denominado &#8216;Uber&#8217;. Quem se beneficia desta lei decerto n\u00e3o \u00e9 o consumidor, que v\u00ea no aplicativo o aumento da competitividade e, consequentemente, da modicidade das tarifas\u201d, disse o titular da 16\u00aa Promotoria de Justi\u00e7a da Capital, para quem a legisla\u00e7\u00e3o em destaque serve principalmente aos detentores de pra\u00e7as de t\u00e1xi.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">O chefe do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de Alagoas (MPE\/AL), S\u00e9rgio Juc\u00e1, encaminhou a representa\u00e7\u00e3o do promotor de Justi\u00e7a para a Assessoria T\u00e9cnica da Procuradoria Geral de Justi\u00e7a, que emitir\u00e1 parecer conclusivo a respeito da quest\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Livre iniciativa<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">De acordo com o artigo 2\u00ba, inciso X da Constitui\u00e7\u00e3o Estadual, \u00e9 finalidade do Estado de Alagoas velar pela preserva\u00e7\u00e3o da ordem econ\u00f4mica, fundada na valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho humano e na livre iniciativa. No art. 234, o texto constitucional diz que o Estado velar\u00e1 pela preserva\u00e7\u00e3o da ordem econ\u00f4mica, respeitados os princ\u00edpios fundamentais estabelecidos pela Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, ente eles os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">No que se refere ao Munic\u00edpio, o art. 10 da Constitui\u00e7\u00e3o do Estado de Alagoas diz que este deve se reger pela Lei Org\u00e2nica, a qual, por sua vez, deve respeitar os princ\u00edpios estabelecidos pela Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica e pela pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o Estadual.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Sobre a inconstitucionalidade material da legisla\u00e7\u00e3o, o promotor de Justi\u00e7a destaca que ela tem por finalidade proibir a atividade econ\u00f4mica de transporte individual, estabelecendo uma reserva de mercado em favor dos t\u00e1xis. Para isso, Marcus R\u00f4mulo observa que, embora a lei exija autoriza\u00e7\u00e3o, ela n\u00e3o menciona em que condi\u00e7\u00f5es elas ser\u00e3o dadas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cA Lei Ordin\u00e1ria Municipal n\u00ba 6.552\/2016 tamb\u00e9m pro\u00edbe conv\u00eanios ou associa\u00e7\u00f5es de estabelecimentos comerciais com os prestadores desses servi\u00e7os, pura e simplesmente. Sequer cogita da hip\u00f3tese de o prestador obter autoriza\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio. Simplesmente pro\u00edbe associa\u00e7\u00e3o e, ao faz\u00ea-lo, viola a liberdade de iniciativa comercial\u201d, destaca o promotor de Justi\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Transporte individual<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Para Marcus R\u00f4mulo, a livre iniciativa parte da compreens\u00e3o de que o servi\u00e7o prestado por taxistas e motoristas de Uber \u00e9 transporte individual, n\u00e3o transporte coletivo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">O promotor de Justi\u00e7a descreve o servi\u00e7o de t\u00e1xi como transporte p\u00fablico individual de passageiros. Trata-se n\u00e3o de um servi\u00e7o p\u00fablico, mas de um servi\u00e7o de utilidade p\u00fablica explorado pela iniciativa privada. J\u00e1 o Uber deve ser enquadrado na categoria transporte motorizado privado, modalidade em que se transportam passageiros em viagens individualizadas, mediante transporte particular. Ou seja, os servi\u00e7os prestados pelos t\u00e1xis e Uber s\u00e3o diferentes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cA Constitui\u00e7\u00e3o s\u00f3 classificou como servi\u00e7o p\u00fablico o transporte coletivo de passageiros, tais como \u00f4nibus de linha, metr\u00f4s, trens e aeronaves. O servi\u00e7o de transporte individual \u2013 seja t\u00e1xi, seja Uber \u2013 \u00e9 uma atividade privada. Neles n\u00e3o se lobriga a essencialidade, a continuidade, a universalidade e o atendimento das necessidades coletivas, que s\u00e3o tra\u00e7os pr\u00f3prios dos servi\u00e7os p\u00fablicos\u201d, destaca o membro do MPE\/AL.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Para Marcus R\u00f4mulo, a disputa entre regimes assim\u00e9tricos \u00e9 fact\u00edvel e estimula a concorr\u00eancia, o que s\u00f3 trar\u00e1 benef\u00edcios ao usu\u00e1rio. Segundo ele, o servi\u00e7o de t\u00e1xi, com o tempo, perdeu esse car\u00e1ter de competitividade na medida em que se organizou em cooperativas e passou a atuar como \u201cgenu\u00edno grupo de press\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>V\u00edcio de iniciativa<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Sobre o Munic\u00edpio, a Constitui\u00e7\u00e3o do Estado de Alagoas mostra, no art. 29, inciso VI, que compete privativamente ao prefeito dispor sobre a organiza\u00e7\u00e3o e o funcionamento da administra\u00e7\u00e3o municipal, n\u00e3o aos vereadores. \u201cToda a Lei Municipal n\u00ba 6.552, de autoria do vereador Galba Netto, padece de inconstitucionalidade formal subjetiva por v\u00edcio de iniciativa\u201d, explica o promotor de Justi\u00e7a.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":12354,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-12362","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-not_mpal"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12362","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=12362"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12362\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12364,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12362\/revisions\/12364"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/12354"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=12362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=12362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=12362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}