{"id":11878,"date":"2015-05-20T12:20:11","date_gmt":"2015-05-20T15:20:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/?p=11878"},"modified":"2022-07-11T12:20:45","modified_gmt":"2022-07-11T15:20:45","slug":"em-pao-de-acucar-sitio-arqueologico-esta-ameacado-fpi-do-sao-francisco-tenta-preservar-patrimonio-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/?p=11878","title":{"rendered":"Em P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, s\u00edtio arqueol\u00f3gico est\u00e1 amea\u00e7ado; FPI do S\u00e3o Francisco tenta preservar patrim\u00f4nio cultural"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Est\u00e1 na Constitui\u00e7\u00e3o Federal: patrim\u00f4nio cultural \u00e9 o conjunto de bens portadores de valores culturais, delimitados \u00e0 identidade, \u00e0 a\u00e7\u00e3o e \u00e0 mem\u00f3ria dos grupos formadores da sociedade brasileira. E \u00e9 exatamente nesse contexto, de proteger a hist\u00f3ria, que a FPI do S\u00e3o Francisco est\u00e1 fiscalizando as a\u00e7\u00f5es mais recentes do homem no conjunto de s\u00edtios rupestres localizado no munic\u00edpio de P\u00e3o de A\u00e7\u00facar. Durante a opera\u00e7\u00e3o, foram flagradas rochas rec\u00e9m-explodidas, paralelep\u00edpedos prontos para a venda e v\u00e1rias ferramentas utilizadas para escava\u00e7\u00e3o e quebra das pedras.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Os flagrantes da destrui\u00e7\u00e3o de parte dos 11 s\u00edtios arqueol\u00f3gicos de P\u00e3o de A\u00e7\u00facar aconteceram esta semana numa opera\u00e7\u00e3o da FPI do S\u00e3o Francisco, cujo trabalho foi feito pela equipe de explora\u00e7\u00e3o mineral e res\u00edduos s\u00f3lidos. Esses espa\u00e7os foram fiscalizados porque havia a suspeita de que os bens arqueol\u00f3gicos daquela regi\u00e3o estavam sendo depredados, o que \u00e9 proibido por lei, haja vista o tombamento da \u00e1rea pelo Iphan, que considerou os s\u00edtios como &#8216;exemplares do patrim\u00f4nio cultural brasileiro e da popula\u00e7\u00e3o de P\u00e3o de A\u00e7\u00facar&#8217;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>A explora\u00e7\u00e3o ilegal<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">No local, pouco antes da chegada do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual e de t\u00e9cnicos do Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (IPHAN), do Departamento Nacional de Produ\u00e7\u00e3o Mineral (DNPM), do Ibama, do IMA, do CREA e do Batalh\u00e3o de Pol\u00edcia Ambiental (BPA), havia pessoas trabalhando na destrui\u00e7\u00e3o das rochas de granito, j\u00e1 que foram encontradas v\u00e1rias ferramentas, utens\u00edlios, pedras ainda com restos de cinzas e centenas de paralelep\u00edpedos prontos para a venda.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cFicou configurado crime contra o patrim\u00f4nio nacional, o que est\u00e1 previsto na lei no 3.924, de 26 de julho de 1961. O IMA e o DNPN emitiram notifica\u00e7\u00f5es e comunicaram o embargo daquela obra ilegal, informando sobre a proibi\u00e7\u00e3o de novas escava\u00e7\u00f5es. Na sequ\u00eancia, esses documentos ser\u00e3o enviados por meio de relat\u00f3rio para o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal que, por sua vez, dever\u00e1 solicitar instaura\u00e7\u00e3o de inqu\u00e9rito \u00e0 Pol\u00edcia Federal\u201d, explicou o arque\u00f3logo P\u00e9trius da Silva B\u00e9lo, do Iphan.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Segundo ele, tamb\u00e9m \u00e9 crime a venda do granito extra\u00eddo do conjunto de s\u00edtios rupestres. Inclusive, o DNPN esclareceu que, caso a atividade fosse considerada normal, os propriet\u00e1rios daquela \u00e1rea teriam que pagar os royalties de minera\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o chamados de Compensa\u00e7\u00e3o Financeira pela Explora\u00e7\u00e3o dos Recursos Minerais (CFEM).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cEmitimos um auto de paralisa\u00e7\u00e3o e os donos dos s\u00edtios est\u00e3o proibidos de fazer qualquer extra\u00e7\u00e3o, do contr\u00e1rio, poder\u00e3o ser enquadrados no artigo 2\u00ba da lei n\u00ba 8.176\/91, que trata de crime contra o patrim\u00f4nio, na modalidade de usurpa\u00e7\u00e3o. Inclusive, essa mesma norma prev\u00ea pena de deten\u00e7\u00e3o de at\u00e9 cinco anos para os infratores\u201d, detalhou a ge\u00f3loga Marina Tietz. 55 da lei n\u00ba 9.605\/98,<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Ainda segundo ela, a reincid\u00eancia incorre no crime de desobedi\u00eancia, com previs\u00e3o legal no artigo 330 do C\u00f3digo Penal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>O patrim\u00f4nio<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">O conjunto de s\u00edtios rupestres de P\u00e3o de A\u00e7\u00facar datam da \u00e9poca da pr\u00e9-hist\u00f3ria, por onde passaram os nossos ancestrais. L\u00e1, eles moraram e deixaram suas marcas por meio das pinturas que, at\u00e9 hoje, est\u00e3o marcadas nas paredes das rochas. \u201cAquela \u00e1rea possui potencial para escava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas, portanto, se fizermos novas pesquisas, ser\u00e1 poss\u00edvel encontrar vest\u00edgios pr\u00e9-hist\u00f3ricos. Estima-se que popula\u00e7\u00f5es passaram por aquele local no per\u00edodo do Holoceno, podendo ter existido at\u00e9 nove mil anos\u201d, esclareceu P\u00e9trius B\u00e9lo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cProteger o patrim\u00f4nio natural de uma cidade \u00e9 a mesma coisa que preservar a sua hist\u00f3ria e reconhecer os valores culturais nela existentes. E \u00e9 com esse objetivo que estamos realizando opera\u00e7\u00f5es nesses s\u00edtios arqueol\u00f3gicos. Muitas pessoas podem se perguntar o que a FPI do S\u00e3o Francisco tem a ver com isso, mas, \u00e9 importante esclarece que esse programa n\u00e3o somente visa proteger o &#8216;Velho Chico&#8217;, seu objetivo maior e deseja, tamb\u00e9m, preservar os bens culturais e outros patrim\u00f4nios j\u00e1 inseridos na vida das pessoas dessa regi\u00e3o da Bacia Hidrogr\u00e1fica do S\u00e3o Francisco. Queremos enfatizar a valoriza\u00e7\u00e3o dos recursos culturais a partir do olhar de 24 institui\u00e7\u00f5es envolvidas nesse projeto\u201d, destacou o promotor de Justi\u00e7a Alberto Fonseca, um dos coordenadores da FPI.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cMesmo os s\u00edtios arqueol\u00f3gicos sendo bens da Uni\u00e3o, n\u00f3s estamos atuando, j\u00e1 que o MPF tamb\u00e9m integra a FPI do S\u00e3o Francisco, um projeto que, nesse caso em espec\u00edfico, trabalha pelo desenvolvimento de estrat\u00e9gias voltadas ao aprimoramento da rela\u00e7\u00e3o entre sociedade e o seu patrim\u00f4nio arqueol\u00f3gico no contexto do Sert\u00e3o alagoano\u201d, acrescentou a promotora de Justi\u00e7a Lav\u00ednia Fragoso, tamb\u00e9m coordenadora da Fiscaliza\u00e7\u00e3o Preventiva Integrada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Para o MPE\/AL, essa preserva\u00e7\u00e3o deve acontecer, dentre outras coisas, para promover o turismo em P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, para que os s\u00edtios arqueol\u00f3gicos possam receber visitantes a fim de conhecer as inscri\u00e7\u00f5es e o a estrutura rochosa dos tempos pr\u00e9-hist\u00f3ricos.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11879,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-11878","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-not_fpi"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11878","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11878"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11878\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11880,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11878\/revisions\/11880"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/11879"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11878"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11878"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11878"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}