{"id":10377,"date":"2018-03-02T08:38:56","date_gmt":"2018-03-02T11:38:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/?p=10377"},"modified":"2022-06-22T08:42:23","modified_gmt":"2022-06-22T11:42:23","slug":"enquanto-mulheres-queremos-ser-reconhecidas-como-sujeitos-capazes-diz-promotora-em-evento-sobre-empoderamento-feminino-em-arapiraca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/?p=10377","title":{"rendered":"\u201cEnquanto mulheres, queremos ser reconhecidas como sujeitos capazes\u201d, diz promotora em evento sobre empoderamento feminino, em Arapiraca"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Aqualtune, Dandara, Nise da Silveira, Juliana de Faria, Justina In\u00eas Cima, Luiza Jaborandy, Maria da Penha. Essas mulheres, ao lado de dezenas de outras com valores t\u00e3o semelhantes, por\u00e9m ainda an\u00f4nimas e que fazem o programa social Minist\u00e9rio P\u00fablico Comunit\u00e1rio \u2013 que pertence ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual de Alagoas, fizeram parte do conte\u00fado da palestra &#8220;O tempo \u00e9 agora: ativistas urbanas e rurais transformam a vida das mulheres&#8221;, ministrada pela promotora de justi\u00e7a Maria Jos\u00e9 Alves, que atua na 38\u00aa Promotoria de Justi\u00e7a da Capital. O evento, alusivo ao Dia Internacional da Mulher, celebrado no pr\u00f3ximo dia 8, aconteceu na Campus de Arapiraca da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) e foi promovido pela Secretaria Municipal de Assist\u00eancia Social e Pol\u00edticas para Mulheres daquele munic\u00edpio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cO tema que escolhi para este encontro \u00e9 o mesmo selecionado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para 2018. A ONU percebeu que as discuss\u00f5es sobre o empoderamento das mulheres, tanto as que t\u00eam um comportamento mais atuante e moram na cidade, quanto as mulheres rurais, precisam acontecer. Inclusive, t\u00eam crescido bastante as demandas relacionadas as mulheres rurais. No mundo, 25% da popula\u00e7\u00e3o feminina \u00e9 formada por mulheres que moram e trabalham no campo, e pouca aten\u00e7\u00e3o se d\u00e1 a isso. O que queremos \u00e9 que as pessoas percebam que a mulher deve ser a protagonista da sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Por isso, trago hoje os exemplos de mulheres que, apesar de todas as adversidades, mudaram. E ao alterarem essa hist\u00f3ria pessoal, elas transformaram tamb\u00e9m seu entorno, contribuindo para modificar as vidas de tantas outras mulheres. Ent\u00e3o, o que estamos fazendo aqui \u00e9 um chamamento! Enquanto mulheres, queremos ser reconhecidas como sujeitos capazes\u201d, declarou Maria Jos\u00e9 Alves, na abertura da palestra.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">E antes de falar sobre as mulheres que ela considera exemplos de vida e inspira\u00e7\u00e3o, a promotora de justi\u00e7a tamb\u00e9m ressaltou que uma das formas de liberta\u00e7\u00e3o do sexo feminino \u00e9 n\u00e3o aceitar relacionamentos abusivos, que submetem a v\u00edtima as mais diversas formas de viol\u00eancia: psicol\u00f3gica, f\u00edsica, sexual e patrimonial. \u201cQuando se fala em Maria da Penha, muitas pessoas s\u00f3 pensam na quest\u00e3o do crime em si. No entanto, a lei trata de muitas outras coisas, como os direitos c\u00edveis violados e a exig\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas. Ent\u00e3o, quando a gente trabalha o empoderamento na mulher, mostramos a possibilidade de transforma\u00e7\u00e3o na vida delas. Apontamos uma chance de vida sem viol\u00eancia, com a recupera\u00e7\u00e3o da auto-estima, fazendo-as se sentirem capazes de reagir. Depois desse processo, elas mesmas percebem que aquela primeira agress\u00e3o sequer deveria ter acontecido\u201d, explicou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">S\u00e1skya Maia, coordenadora municipal de Enfrentamento \u00e0 Viol\u00eancia contra a Mulher, aproveitou a oportunidade para lembrar que a Prefeitura de Arapiraca possui o Centro de Refer\u00eancia e Atendimento \u00e0 Mulher em Situa\u00e7\u00e3o de Viol\u00eancia (CRAMSV): \u201c\u00c9 um \u00f3rg\u00e3o municipal que acolhe, cuida e orienta v\u00edtimas. Nossa equipe multidisciplinar est\u00e1 sempre pronta para ajudar essas mulheres que precisam de apoio e direcionamento\u201d, garantiu.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">O vice-reitor da Uneal, Cl\u00e9bio Ara\u00fajo, destacou a import\u00e2ncia do tema abordado na palestra. \u201cA cultura do machismo, infelizmente, ainda \u00e9 reproduzida dentro de casa, na sala de aula, no ambiente de trabalho. O di\u00e1logo que acontece para se combater esse tipo de coisa \u00e9 fundamental para transformar mentes. E ele precisa ocorrer no maior n\u00famero de espa\u00e7os, p\u00fablicos ou privados. S\u00f3 assim vamos construir uma sociedade mais justa e igualit\u00e1ria\u201d, declarou ele.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>As mulheres inspiradoras<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Aqualtune e Dandara foram as primeiras mulheres a ter suas hist\u00f3rias compartilhadas com o p\u00fablico. \u201cAqualtune era uma princesa do Congo que foi tragicamente escravizada no Brasil. Era m\u00e3e de Gamba Zumba e av\u00f3 de Zumbi dos Palmares. Por ter no\u00e7\u00f5es organizacionais e de estrat\u00e9gia, foi muito importante na resist\u00eancia e na defesa dos quilombos. J\u00e1 Dandara foi a esposa do l\u00edder negro Zumbi. Capoeirista, sempre estava na linha de frente das batalhas. Ia para a guerra com os homens, lutava de igual para igual. Talvez fosse at\u00e9 melhor que alguns deles\u201d, destacou a promotora.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Na sequ\u00eancia, Maria Jos\u00e9 Alves falou sobre uma alagoana ilustre e que revolucionou a psiquiatria no mundo: Nise da Silveira. \u201cFoi a primeira mulher a fazer Medicina no Brasil e transformou todo o entendimento sobre o tratamento mental no pa\u00eds. Combateu os choques el\u00e9tricos e trouxe a arteterapia como alternativa para recupera\u00e7\u00e3o dos pacientes psiqui\u00e1tricos que, por muito tempo, viviam numa segrega\u00e7\u00e3o perversa\u201d, contou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cVoc\u00eas tamb\u00e9m precisam conhecer sobre Juliana de Faria, jornalista que se tornou uma das principais vozes do feminismo no Brasil. Ela \u00e9 cofundadora do Think Olga, uma ONG criada em 2013 que tem o objetivo de empoderar mulheres por meio da informa\u00e7\u00e3o. Juliana tamb\u00e9m participou ativamente da campanha \u2018Chega de fiu fiu\u2019, cuja mensagem principal \u00e9 mostrar que ningu\u00e9m deve ter medo de caminhar pelas ruas simplesmente por ser mulher\u201d, detalhou Maria Jos\u00e9 Alves.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">A catarinense e trabalhadora rural Justina In\u00eas Cima \u00e9 mais uma mulher considerada inspiradora pela 38\u00aa Promotoria de Justi\u00e7a da Capital. \u201cJustina poderia ter se conformado em ter uma vida simples no campo, longe da educa\u00e7\u00e3o e do ativismo social. Mas ela fez exatamente o contr\u00e1rio. Tornou-se uma lideran\u00e7a feminina na luta pela garantia do ensino superior para as mulheres rurais. Sua hist\u00f3ria de vida prova que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito que deve ser perseguido, n\u00e3o importa a idade. Em 2006 ela terminou o ensino fundamental. Na sequ\u00eancia, o ensino m\u00e9dio. E, recentemente, aos 60 anos, conquistou o diploma de pedagoga\u201d, disse a promotora.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">&#8220;\u00c9 claro que tamb\u00e9m n\u00e3o posso deixar de falar da Maria da Penha, bioqu\u00edmica cearense que d\u00e1 nome a uma das leis mais famosas do pa\u00eds. Em 1983, ela foi v\u00edtima de um tiro nas costas, enquanto dormia, dado pelo seu ent\u00e3o marido. Marco Antonio Heredia foi condenado, mas recorreu da senten\u00e7a em liberdade. Foi a milit\u00e2ncia de Maria da Penha contra a viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher que resultou na condena\u00e7\u00e3o internacional do Brasil pela toler\u00e2ncia e omiss\u00e3o nos casos desse tipo de agress\u00e3o. Depois disso, o Brasil se viu obrigado a mudar a legisla\u00e7\u00e3o para que permitisse, nas rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, a preven\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o da mulher em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica e a puni\u00e7\u00e3o do agressor&#8221;, enfatizou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cPor fim, volto a falar sobre mulheres alagoanas que devem ser consideras refer\u00eancias. A Luiza Jaborandy, festora institucional do Mulheres Mil, programa de programa de capacita\u00e7\u00e3o feminina que envolve palestras, din\u00e2micas e atividades de forma\u00e7\u00e3o cidad\u00e3, \u00e9 uma delas. E, com muito orgulho e amor, deixo aqui a minha admira\u00e7\u00e3o pelas mulheres do Minist\u00e9rio P\u00fablico Comunit\u00e1rio, o primeiro programa social do nosso MP de Alagoas. \u00c9 por causa da Jediane, da Luciana, da Carol, da Edith, da Judite, da Valdirene, da Eug\u00eania, da Rita, da Carla, da Irene, da Karina, da Valm\u00eania, da Expedita, da Neide e de tantas outras que a comunidade do bairro do Vergel do Lago consegue resolver pequenos e m\u00e9dios problemas, sem precisar acionar o sistema da justi\u00e7a. Os pr\u00f3prios moradores mediam seus conflitos e buscam solu\u00e7\u00f5es para eles. \u00c9 um projeto lindo e transformador\u201d, assegurou Maria Jos\u00e9 Alves.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">A estudante de Pedagogia Maria C\u00edcera Sandes Ara\u00fajo deixou o audit\u00f3rio feliz com o que ouviu durante quase duas horas. \u201cMuito mais do que preparo t\u00e9cnico, a gente precisa trabalhar sendo humana, tentando entender a outra e buscando oferecer o que temos de melhor. A fala com emo\u00e7\u00e3o da promotora nos instiga a exercer nossa profiss\u00e3o com mais qualidade e acreditando que podemos fazer a diferen\u00e7a como mulher. Estou saindo daqui com a responsabilidade de participar desse processo, com a inten\u00e7\u00e3o de mudar valores\u201d, afirmou ela.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Fabr\u00edzia Amaral, assistente social do Hospital Geral do Estado, reconheceu a necessidade de se discutir mais vezes esse tema e lembrou que muitas mulheres s\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar porque se sentem inferior ao homem. \u201cS\u00e3o muitos anos no HGE e, l\u00e1, costumo ouvir os relatos das pacientes. Elas realmente quase n\u00e3o possuem amor-pr\u00f3prio, o que as deixa numa condi\u00e7\u00e3o de submiss\u00e3o extrema. Por isso \u00e9 t\u00e3o importante que elas tenham pessoas e profissionais capazes e preparados para lhes incentivar a quebrar o sil\u00eancio. A acolhida tem que ser diferenciada para que elas possam mudar de vida. Foi uma manh\u00e3 bastante proveitosa e incentivadora\u201d, declarou a assistente social.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":10378,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-10377","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-not_mpal"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10377","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10377"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10377\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10380,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10377\/revisions\/10380"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10378"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10377"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10377"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mpal.mp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10377"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}